
Acordo cansada de mim, deste sentir fecundo, mas estéril de afectos realmente consumados… De fingir que estou AQUI, quando me ausentei e vagueio, perdida, sem descortinar por que obscuras razões subsistem, ainda, pontos cardeais… De inventar alegorias e paradigmas vários, para tentar escusar-me à crua realidade que, furiosamente, teima em engolir-me, inteira e de um só trago … De inventar AMOR, aos molhos, como quem veste alegremente os lábios de sorrisos purpúreos, estando prestes a perecer, cristalizada, no sal das lágrimas que lhe banham o rosto… Estilhaçam as delicadas vidraças da minha Alma! Lívida e fria, afogo-me no turbulento caudal do meu próprio desespero, por consentido excesso de gente, no âmago desta solidão total que mais ninguém vê… Avulta silêncio em todas as esquinas do meu Ser! O espectro da morte, negro e sombrio, arrasta-se-me pesadamente na vida… Acordo cansada de mim, deste sentir fecundo, mas estéril de afectos realmente consumados…
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Acordo Cansada...
Postado por @--}--- de £ótus às 16:12 3 Marquinha(s)
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Querido Pai

Doença De Alzheimer
Como eu gostaria poder ter o teu carinho de novo, voltares para mim.
Abraço-te, beijo-te, tu não reages, manténs-te hirto olhando-me com esse olhar vago que vieste a adquirir. Tão vago, como vaga e estranha, eu começo a ser para ti.
Olho-te fundo nos olhos…
Lembraste paizinho? Sou eu, a tua filha, a única, a que amavas (ainda amas, mas não sabes) incondicionalmente.
Preciso de ti meu querido, preciso do teu sorriso, da tua boa disposição, como gostavas de rir e fazer rir…
Hoje, nos momentos de maior lucidez, vejo-te chorar, essas lágrimas, que me partem o coração. Não receies pai, eu estou aqui, ao teu lado, sempre!
Quando eu era pequenina e até mesmo depois de crescer, casar, ser mãe, tu sempre me protegeste, sempre me apoiaste, é essa protecção e esse apoio, que eu te vou dar a ti, também. Cuidarei sempre de ti.
Amo-te muito, querido pai!
Postado por @--}--- de £ótus às 21:49 9 Marquinha(s)
Marcadores: Pai
A Lua Como Testemunha

Convidei-te para casar, assim, como quem convida para dançar. Olhaste para mim, com esses grandes olhos azuis, sem quereres acreditar.
A nossa relação sempre primou, pela indefinição. Passos à frente, passos atrás, quero, não quero, deixo-me ir, não me deixo ir…
Nunca te quis amar (apesar de te amar), fugi de ti e de todas as outras, que me quiseram “agarrar”.
Eu, e a minha independência. Essa sim, a minha amante de sempre.
Lutei! Ah, como eu lutei! Lutei para te resistir, resistir a esse olhar doce, terno e inteligente, a essa menina mulher, que cada vez mais me encantava e seduzia, a esse corpo!... Meu Deus, esse teu corpo, que só de o imaginar, me sinto incendiar… mas tu, conhecedora profunda dos teus poderes e dos teus desejos, não facilitavas, estavas sempre lá!
Essa noite decidi-me, eu amava-te e não havia como fugir a essa verdade cada vez mais flagrante.
Sorriste, com esse teu sorriso de eterna criança, que me derrete o coração, aproximaste-te de mim, deste-me um beijo na face e segredaste-me ao ouvido – “sim amor”.
O teu perfume e o toque dos teus lábios, deixou-me na pele um ardor, um feitiço, outro.
Tudo à nossa volta parou, deixamos de ouvir os ruídos que nos rodeava, dentro de nós, ouvia-se uma música, a música dos amantes e foi ao ritmo dessa música, só tocada para nós, que nos abraçamos, beijámos e nos devorámos.
Os nossos corpos fundiram-se num só, com urgente frenesim, em espasmos de intenso prazer, entregamo-nos, como nunca antes, o tínhamos feito. A noite encheu-se de estrelas e a lua, espreitando atrevida pela nossa janela, foi testemunha, deste nosso pacto de Amor!
(Nota do autor:
- Vi-me aqui como personagem masculino, soltei a imaginação e deixei-me levar.)
Postado por @--}--- de £ótus às 21:45 0 Marquinha(s)
O vento leva-me o lamento

Saudade de ti
De mim
De nós
Esta saudade
Que no meu peito arde
Aguardando que um dia venhas
e com os teus lábios húmidos
Sacies esta sede
Que de ti tenho
O vento leva-me o lamento
Ouves?
É por ti que choro
É por ti que anseio
É por ti que espero
E desespero
Estas lágrimas que deito
Perdem-se no mar profundo
Rasga-se o peito
Em mil tormentos
E na minha boca
Sinto o sabor a fel
Do meu amargo desgosto
Postado por @--}--- de £ótus às 21:15 0 Marquinha(s)
sábado, 27 de setembro de 2008
Devaneios?!

Esta manhã fui seda no corpo amado. Deslizou na minha cama como fauno enlouquecido de desejo. Senti as mãos urgentes em passeio tresloucado pelo meu sono e docemente comecei a abraçar o dia e o prazer. Visitou-me os seios peregrinos, subiu e desceu por essas colinas plantadas no centro do desejo, elevando-me os bicos ecuménicos à silente promessa de prazer. Apetecia-me ficar ali, fingindo que me banhava ainda nas águas do sono, reprimindo as mãos, afagando a doçura do lençol, virando a sensual esquina dos sentidos, quando o nosso corpo se queda, ensurdece, emudece e apenas o gosto, o tacto nos apetecem. E fiquei. Prolonguei até à eternidade do prazer essa semi-inconsciência entre o sono e a vida. Uma ave esvoaçou sobre o meu corpo, um grito agudo que me rasgou a carne, mas não olhei. Um cão rosnou perto de mim e era negro, mas não vi. Deixei-me apenas encadear no fernesim impossível de parar. O meu fauno resfolegou sobre o suor dos corpos. Eu suspirei e escorreguei pelas cascatas tensas dos sentidos, libertando-me enfim das suas garras... Estive ausente entre a espuma branca e o rumorejar intenso das águas. Voltei. Ainda agora não sei se foi apenas devaneio da mente cansada, se foi sonho vadio da madrugada. Acordei assim... Mimado o corpo, preenchida a alma, e vazia a cama.
Postado por @--}--- de £ótus às 22:57 0 Marquinha(s)
Ninguém merece morrer assim! (Soneto)

Fui e vim, neste mar de hipocrisia que me rodeia
Gritei e supliquei, para que me dessem a mão
Sorriam, riam e naqueles esgares de canalhas
Só vi raiva, ódio, ciúme, inveja e nenhum perdão
Agora que me encontro no fundo da cratera
Que desespero neste meu infortúnio de vida
Ninguém me vale, ninguém me quer, sou proscrita
Afinal já não sou aquela mulher especial.
Fui luz brilhante num horizonte longínquo
Agora sou sombra que ensombra muitos viveres
Por isso, não querem sequer reconhecer-me...
Aqui jaz o meu corpo neste chão frio de mármore
Sem ninguém que o ampare, que o abrace e o ame
Que PUTA de vida, ninguém merece morrer assim!
Postado por @--}--- de £ótus às 22:36 0 Marquinha(s)
Segredos

Da lua, que trauteio em courelas
de estéreis rochas lunares. Eu e tu,
em tempo de bonança na fenda desferida
na memória, sem retorno, sem aurora,
sem ânforas de sonhos e águas mornas,
sem a certeza cúmplice da permanência,
sem sabermos sequer onde há esperança...
Postado por @--}--- de £ótus às 22:27 0 Marquinha(s)
Carícias

Carícias, cristal puro,
tinindo em nós
quando os gestos se deixam
cristalizar como borboletas
em voo pleno,
crisálidas abertas
ao calor do toque
cristalino das coisas
que nos sussurramos
impúdicos
calmaria de inverno em
cumplices cânticos
alva doação,
em alvoradas férteis,
boiando os corpos nas cristas
cintilantes, cadenciadas
das vagas ungidas da enseada.
Cristal retinido ao mero toque
do teu corpo seda azul
no meu regaço de pomba
rosa, quando vieres
para lá do tempo dos amores.
Postado por @--}--- de £ótus às 22:12 0 Marquinha(s)
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Ser Feliz... (Soneto)
Eu quero ser feliz! Quero?! Não, eu sou feliz!
Felicidade, palavra tantas vezes proclamada
Ditoso estado de alma, tantas vezes desejado,
Mas quase nunca conseguido e muitas vezes desperdiçado.
E para se ser feliz, é preciso tão pouco, basta querermos.
As pessoas, ainda não aprenderam, que para sermos felizes,
É só estar bem connosco e com os outros, por isso eu digo:
- Sim, meus senhores, sou muito, muito feliz!
A vida é caprichosa, madrasta e muitas vezes traiçoeira
Mas temos de saber dar a volta, pregar-lhe rasteiras, lutar
Não deixar o desânimo tomar conta de nós e ter esperança.
O que hoje nos parece negro, amanhã volta a ganhar cor.
Acender a luz do farol e esperar, que o navio da felicidade
Venha de mansinho, mas com rumo certo, ao nosso porto.
Postado por @--}--- de £ótus às 22:16 3 Marquinha(s)
Lua Misteriosa
Vestida de noite, completa de luz,
acesos seus olhos num brilho azul
ela verte seu corpo para o amor.
Ávidos seus dedos, belo o seu sorriso
nela tudo é seda, luar ou segredo.
Vestida de si, coberta de nada
ela dá-se à noite como erva ao prado.
E eu fico a vê-la no escuro do meu quarto:
Lua misteriosa que me desvenda um segredo!
Vestida de noite, fecho a janela, abraço o meu leito.
Postado por @--}--- de £ótus às 21:47 1 Marquinha(s)
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Simulação

A simulação é a arte
de saber revelar sem
esconder aquilo que o ser
conhece e não conhece
sobre si e supõe
ser o único a saber.
Postado por @--}--- de £ótus às 17:40 0 Marquinha(s)
Libertei-me

Seduzes-me com o teu olhar
Que se revela doce e meigo
(Quando queres)
Com os teus lábios macios
Beijas-me as pontas dos dedos
(Com preceito)
Mas por trás dessas doces maneiras
Está uma alma obscura
(Que intimida)
Aprendi com o tempo a conhecer-te
E não, não serei de novo a tua presa.
(Libertei-me)
Postado por @--}--- de £ótus às 16:56 0 Marquinha(s)
Os Poetas...

Vêm pela noite escondidos no luar
Trazem o timbre emocionado das estrelas
E a cintilação ébria das abelhas
Ei-los...
Colhendo os murmúrios da escuridão
O corpo uma canção sem solfejo
O frio nos olhos quentes de desejo
E ternos mochos vigilantes
Escravos da dor cépticos dementes
Febris como corpo de amante
Uma semente sem terra, sem sol
Sem húmus que a receba e alimente
Ei-los.
Soltos às feras que se acobertam no silêncio
Rangendo os dentes da dor da ausência
Sentindo no limite das sombras negras
A inclinação silente dos seus poemas
Ei-los que escrevem com os corpos
O urros das feras solitárias
Nas cavernas obscuras imaginárias
Colhendo ainda verde a madrugada
Uma pétala de flor cheia de orvalho
Uma flor de sol embriagada. Mas...
Vem sempre a manhã e o sol romperá a bruma
No solo apenas uma memória de passos
Desenhados a sangue na caruma
Postado por @--}--- de £ótus às 16:27 0 Marquinha(s)
Enquanto te Espero

Enquanto te espero
neste tule de desejo
sou noiva à porta da igreja
sem grinalda nem pureza
tu caminhas pelo meu corpo
com a sede do deserto...
e as minhas pernas serenas
embarcam no pulsar das estrelas
Eros virá nos teus dedos
a noite vibra entre os seios
a lua tange, eu sou piano
toco-me no vértice do espelho
a lua geme ao ver o arqueiro
a flecha parte certeira
horas dóceis na romanza
dos teus dedos sementeiras
e a noite brilha em solfejos
porque enquanto não vieres
fica só uma cratera acesa
para a adaga do teu beijo
Postado por @--}--- de £ótus às 16:08 0 Marquinha(s)
A vida é uma viagem...

A vida é uma viagem, que nos leva do céu, ao inferno e vice-versa.
Por vezes calma, maravilhosa, outras vezes perigosa, vertiginosa.
Durante o seu percurso, vamos sofrendo mutações, que nos levam da chupeta à bengala, da alegria à tristeza, do prazer à dor.
Dor, que temos que aprender a dominar, para que a alegria, o prazer e o amor, possam sempre vingar.
Os meses vão passando, os dias e os anos… Anos, que todos os anos festejamos, para celebrar o passado, agradecer o presente, olhando expectantes o futuro… futuro esse, que já, já, será de novo presente.
Essa passagem do tempo é tão rápida, que a alguns de nós, chega a intimidar. A proximidade do último estágio, a chamada 3ª idade, nem sempre é bem entendida, nem pelos outros e nem sequer, por nós.
Temos medo, medo que o tempo, não nos dê tempo, para vivermos o nosso tempo.
Esquecemo-nos facilmente, que se crescemos, se avançámos, se estamos vivos, é porque superámos dificuldades e vencemos.
Cada ano que passa, é uma batalha ganha, uma luta vencida. Cada idade, tem a sua cor, o seu prazer e o seu sabor.
Temos que saber viver, porque o importante, não é estarmos vivos, mas sim, sentirmo-nos vivos.
A vida só é bela, se soubermos tirar dela, o máximo partido do tempo, que nos é concedido!...
Por isso:
VIVAMOS!
Postado por @--}--- de £ótus às 15:26 0 Marquinha(s)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
NUA

Uma mulher está sempre nua, perante o olhar de um homem. Nua, perante aquele que a souber ler para além dos poros e dos sinais dos tempos e no seu corpo, encontrar os traços da eternidade feita luz... E eu, hoje, estou nua sob esse olhar, como sempre estive, sem o saber.
É apenas mais um entardecer que agoniza perante os nossos olhos já cansados das palavras. Este silêncio de águas escavando os leitos da ironia. Esta luz do crepúsculo que te traz cavalgando no meu desejo de incomensurável azul: o céu transformado em nuvens, no algodão dos sonhos, desfiadas, dispersas, embebidas em fragmentos da nossa memória.
Frases, sintaxes, vogais inertes que a eternidade dos risos fixou no eco das planuras. Talvez tudo não passe de um mero exercício de estilos, e nenhuma ave se faça ouvir nos nossos silêncios, a não ser, a águia-real dos teus olhos argutos sobre a minha carne nua.
Talvez apenas te alimentes das vísceras destas estrofes sem rima, nem métrica, mas onde se encontram ainda os teus restos, os sabores das nossas manhãs, os cheiros das oferendas de mel e frutos secos, as cores como fragmentos de um infinito pessoal que suspendemos, quando o medo veio espantar as manhãs claras e fazer mais frias as noites do nosso quarto.
Sim, é certo, as paredes escorrem a humidade e o bafio da tua ausência, mas nelas escrevi o anagrama do desejo, o único possível quando te leio e quero mais e mais de ti... Quando as palavras adquirem a acutilância de espadas e é o silêncio, que se vem plantar mesmo ao pé da nossa árvore. Lembras-te? A árvore onde as primeiras palavras brotaram dos teus olhos e a tua sintaxe se plantou no meu seio?
Lembras o cisne que paira na memória e ainda hoje canta para nós sem morrer depois? O cisne da discórdia, imperando já nos sentidos, esta paixão insana que te quer meu sobre todas as coisas que o criador fez belas... Lembras-te quando me temias e depois me amavas em silêncio? Lembras? Aquele lugar só nosso, para onde me escapo quando o silêncio me esquarteja? Encontrei-te lá numa volta insuspeita do tempo. Não sei se me esperavas, ou se apenas te esperavas a ti. Mas estive lá e fui tua, docemente tua, sob os plátanos que albergaram o nosso amor...
E agora, meu amor, que diriam de nós, se soubessem a eternidade de cada pequena dobra do tempo, de cada letra, de cada metáfora plantada no deserto, de cada um dos sete segundos que levo a chegar até ti... Diriam que sou louca, porque esta sede não se mata de palavras, mas matará sim a novidade de cada manhã, se as palavras secarem...
Sei que as trepadeiras cobriram já o meu nome e o musgo se nutriu das palavras idas, mas os meus membros desfolhados, ainda ondeiam na dança inquietante de ti em feitiços e marés aluaradas. Estou nua sim, sob as carícias do vento, essa brisa aromatizada de rosas e de beijos, que é pulsão, que é prazer, que é o sinal orgásmico das tuas mãos suspensas de mim... E ainda não sei se esses doces gestos me chegaram trazidos por um qualquer vento distraído que ocasionalmente soprou nos meus sentidos...
Postado por @--}--- de £ótus às 16:50 0 Marquinha(s)
A voz é o remoinho da alma.
Noites despenhadas
no silêncio
em que renasce enfim
o som de ti
e nela vibram espadas sem gume
algodão de nuvens,
rios de espuma.
Noites em que a tua voz me murmura
correntes intermináveis de cascatas
que são sussurro e suspiro
e suavidade íntima
dessa intensa tonalidade
só tua.
A voz é o remoinho da alma.
Leva-me assim
confluindo na tua
e em segredo conta-me
onde as suas modulações,
onde esse timbre
tão suave como
canto de sereia aos meus ouvidos.
A tua voz é cristal puro que
no meu ser se parte.
Ah, não. Sem a tua voz
não poderia amar-te!
Postado por @--}--- de £ótus às 16:26 0 Marquinha(s)
À noite
À noite
solto os cabelos
retiro a lua
do seu estendal
desfaço as estrelas
aquieto o mar
sopro um segredo
que quero guardar
as vagas rolam no areal
é o meu corpo enluarado
que se vestiu
para te esperar.
Postado por @--}--- de £ótus às 16:17 0 Marquinha(s)
domingo, 21 de setembro de 2008
Eu sou o murmúrio

Eu sou o murmúrio que vem no vento
E vem pousar no poema arrefecido
Porque a memória é uma anta vazia
E o passado, um grito de ave sem sentido.
Postado por @--}--- de £ótus às 20:51 0 Marquinha(s)
sábado, 20 de setembro de 2008
Hoje, Sou Penumbra...
Hoje, não sou cor, sou penumbra,
porque sombrios são os tempos
que aqui venho anunciar,
proclamando sentidamente,
a dispersão final do sonho,
que quebrou mas está lá,
como farol que se extinguiu,
mas que em noites de luar
ainda projecta a esguia sombra,
no prateado do mar...
Hoje, venho contar do vento
gemido louco e sibilante
que canta à minha janela
como pulsar insistente
das marés por confrontar.
Assobia e rodopia, e tolhe
de espanto o silêncio,
torre esguia sem sustento,
como voz enlouquecida
que não fala, não sussurra,
não é a voz clara de alguém,
mas apenas um lamento,
triste, incolor e pungente.
Hoje, não trago luzes
para iluminar o presente,
foscos estão os olhos de míopes
que acendem relampejos
falsos, de um brilho opaco,
rajadas frias de vento um clarão cego,
só estremecimento,
rasgando o algodão da noite.
Hoje, só venho anunciar
que um barco também navega
mesmo num mar sem farol
e, levado pelo temporal
salta a linha do horizonte
vogando para o país sem nome,
onde a sede de emoção
se faz poema e voa.
Hoje, venho anunciar que o sonho
ainda é ponte para a margem azul
da dor e que o dia, não é luz,
a noite, não é claridade e eu
não sou eu, mas uma sombra
sem contornos, um perfil na bruma
dos faróis, a luz que uma vaga maior,
por certo silenciou na mudança
das marés...
Postado por @--}--- de £ótus às 16:12 0 Marquinha(s)
Pontes...
Entre as duas margens de uma alma só,
Quando nos desnudamos à luz da lua
No seu zénite crescente
E nos cruzamos,
Com a sombra que o luar nos fez gigante.
Nesse canto da noite, descobrimos
Que não há lugares de exactidão geométrica
Como o lugar em que nos avistamos
Ponte de nós mesmos e barqueiros
Do nosso insuspeito destino.
Amamos, doamos o corpo em juramento
Fazemos da alma oferenda e afinal...
Somos os remos e a corrente,
O vento agreste e o mistral
E no fim do rio, à beira da cascata
Estamos apenas nós e, nada mais!
Postado por @--}--- de £ótus às 16:01 0 Marquinha(s)
terça-feira, 13 de maio de 2008
No Meu Corpo

No meu corpo
Vivem as marcas de todas as guerras
Chagas de todas as dores
Feridas de todos os amores
No meu corpo
Vivem as cicatrizes de todos os lamentos
Gritos de dor... momentos
São valas de verga, carne viva
Neste corpo, o meu
Lêem-se todas as batalhas
Escritas a ferro
Desenhadas à mão
E tu amor
Quando um dia me desnudares
Lerás toda uma história
Massacre, martírio dormente
E neste corpo que me deram
Vivo aprisionada
Serei sempre alma
Viva noutro lugar
E nestas marcas fundas da vida
Nas veias, carne ferida
Vou continuar
Sentindo tormentos
E quando um dia meu amor
Olhares o meu corpo
Na pele encontrarás desgosto
Na carne, chaga viva
E se mesmo assim me quiseres
Então amor, oferece-me o teu corpo
Para que a minha alma se encontre
E recupere da vida
Tenho marcas de batalhas sem fim
Mas a guerra, essa, será sempre minha
Postado por @--}--- de £ótus às 22:01 4 Marquinha(s)
domingo, 11 de maio de 2008
Lágrima que já não cai
Postado por @--}--- de £ótus às 18:11 1 Marquinha(s)
Mentiras
Postado por @--}--- de £ótus às 17:56 0 Marquinha(s)
A Minha Dança
Postado por @--}--- de £ótus às 17:39 0 Marquinha(s)
Hoje, vivo apenas.
Postado por @--}--- de £ótus às 17:30 0 Marquinha(s)
A Poesia de Um Momento!...
Postado por @--}--- de £ótus às 17:11 0 Marquinha(s)
terça-feira, 8 de abril de 2008
No Tempo de Uma Vida...
Postado por @--}--- de £ótus às 21:34 4 Marquinha(s)
O Último Suspiro de Sol...
Postado por @--}--- de £ótus às 21:24 0 Marquinha(s)
Nasceu mais uma estrela no firmamento.
Postado por @--}--- de £ótus às 20:55 0 Marquinha(s)
Lezíria em Flor
Minha alma é soneto ébrio d’amor,
Postado por @--}--- de £ótus às 20:30 2 Marquinha(s)
Busco Os Teus Sinais...
Busco teus sinais
Postado por @--}--- de £ótus às 20:16 0 Marquinha(s)
domingo, 9 de março de 2008
Renascida!...
Postado por @--}--- de £ótus às 22:25 0 Marquinha(s)
Desenho-te, sobre a tela branca da minha imaginação.
Postado por @--}--- de £ótus às 21:48 0 Marquinha(s)
sábado, 8 de março de 2008
8 de Março - Dia Internacional da Mulher
Postado por @--}--- de £ótus às 01:03 0 Marquinha(s)
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Refúgio & Prisão
Escondo-me, por detrás desta pele que me veste, que me aquece e protege. Lá fora, a chuva cai, molhando o corpo, frio, frágil e sem forças. Aqui dentro, onde me abrigo, na calma deste refúgio, vivo o tempo numa forma diferente. Esta estrutura que me abriga, vai aos poucos transformando-se, envelhecendo, perdendo capacidades, morrendo aos pedaços, enquanto se movimenta pelas estradas da vida. Mas cá dentro, no seu âmago, reside um ser completamente etéreo, delicado e doce, que, olhando o mundo através do seu hospedeiro, olha muito para lá do que os olhos conseguem vislumbrar, sente muito para lá do que os próprios sentidos podem transmitir. O tempo, inimigo letal da carcaça que o abriga, nada lhe diz, porque para mim, o tempo, não tem qualquer tempo, não existe. Lá fora, a fantasia da minha alma, luta diariamente pela sobrevivência, protege-se e ataca, contempla e sente, acorda e adormece. Aqui, onde me escondo, neste silêncio tranquilo, neste conforto suave, vejo passar outros corpos, sinto outras almas, aprendo-lhes os sentidos e absorvo-lhes a intimidade. Descubro em todas elas, pedaços de mim, mas, apenas em algumas me descubro.Foi assim que te encontrei, um dia, quando te cruzaste com este corpo em que habito, vi, no teu olhar, a outra parte de mim, fechada, num corpo proibido, num lugar tão próximo fisicamente, mas, tão distante na eternidade. Nesse teu olhar, descobri um dia, um grande pedaço de mim. Descobri-me num todo, completo. E de repente, este corpo que me refugiou, passou a aprisionar-me, não me deixando libertar para ir ao teu encontro. Hoje, nada sou, sou apenas mais um pedaço de mim, perdida num corpo qualquer...
Postado por @--}--- de £ótus às 19:19 2 Marquinha(s)















