domingo, 28 de outubro de 2007

Doce o Teu Olhar









Aguardo que tu chegues.
Ansiosa, mas feliz,
O meu coração canta e rejubila.
Tanta coisa para te dizer…
Dizer que sou tua,
Que é a ti que amo.
O meu pensamento vagueia…
Memórias de nós dois
Pedaços de ti e de mim.
Sentires que nos acolheram.
Momentos que ficaram.

É Outono, e as folhas caem…

Olho à minha volta,
Onde estás que não vens?
Começo a ficar inquieta.

Como as folhas,
Que se desprendem das árvores,
Também a felicidade,
Se vai desprendendo de mim.

Anoitece…

Oiço o chilrear frenético dos pardais
Que procuram o seu ninho
Tal como eu, te procuro a ti.

Ao longe uma silhueta que se aproxima.

Serás tu?!
Sim, és tu!
Estás agora à minha frente,
Olhamo-nos...
E eu vejo,
Escorrendo languidamente dos teus olhos
Um luar de prata flamejante
Um lampejo de paz e de infinito…

Doce o teu olhar,
Perante ele, renasço
E perco-me
E todas as palavras, ficam por dizer...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Quero Que Venhas













Quero que venhas
E me tomes
Sem aviso
Vem,
Bebe docemente
Em meu corpo
O néctar da paixão
Que chegando
De improviso
Traz à flor de nós
Este poema
Em tom urgente…

A Cama Vazia













Hoje, ao despertar,
Julguei ter-te a meu lado
Mas, a cama estava vazia.
Vazia...
Como eu também me sentia.
Abri a janela,
O Sol despontava no horizonte,
Abraçando e aquecendo a Natureza
E eu ali, Só.
Lágrimas de tristeza rolaram
É tudo inútil…
O amor que sinto por ti,
Não te traz para mim.
O meu coração bate,
O meu coração GRITA,
Amor, Amor, Amor…
Tanto amor…
Por ti, só por ti, meu amor
Mas hoje entendi,
Que este meu grito,
Não chega a ti.
Não basta eu querer
Para que os nossos corações sejam um
Para isso, meu amor,
Temos os dois que querer!...

A Dança Do Amor









Minha mente é só desejo:
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.
Eu sou,
Inteiramente,
Lua,
Nua,
Tua.
Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.
Tu
Infinitamente
No meu
íntimo...
Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O Que Eu Sou













Na imensidão do que eu sou, e do que tu és,
Há sempre um mistério por descobrir.
Na imensidão do que nós somos,
Existe o imenso e o nada.
Na imensidão do teu corpo
Encontro a tua alma.
Na imensidão do mundo,
Encontro-me ou fujo de mim.
Perco-me por caminhos
Que se cruzam neste abismo,
Que são os meus pensamentos...
Perco-me no egoísmo do que eu sou,
Ao perder o meu tempo a decifrar os meus medos.
Esqueço-me do tempo infinito que nos circunda
E nos leva sem darmos por isso.
Esqueço-me do tudo e do nada
E de coisa nenhuma.
E lembro-me que sinto,
Sem saber sentir,
Que falo,
Sem saber falar,
Que escrevo,
Sem saber escrever...
E lembro-me mais e mais de mim,
Para me poder lembrar do todo
Que acredito existir.
Mas, eu sou do mundo,
E tenho na frente do meu rosto,
Uma janela imaginária com formas ondulantes,
Como os quadros de Dali.
Todos os dias agarro no pincel,
E como se fosse possível,
Transformo as formas ondulantes,
Em cubismos de Picasso.
Vivo da arte,
Das palavras que leio nos livros,
Das pessoas que conheco nas ruas,
Não sou nada meu,
Sou tudo dos outros
E do que eles me transmitem.
Vivo de paredes claras e escuras,
Vivo de noites e de dias,
Vivo de ti e do teu corpo.
Não me encontro a mim, mas em mim,
Encontro o mundo, o teu, o meu
E o de todos nós...

No Teu Olhar











Guardas no teu olhar
Um tempo por acontecer,
O sol e o luar
E as palavras que não sabes dizer.

Guardas no teu olhar
O silencio do entardecer
A fragrância do mar,
E uma folha em branco
Por
escrever...

Vou ficar assim
Sem saber de mim
Perdida em ti
Esperando...
Por um novo amanhecer.


Não me Peças Sorrisos



Por agora
Não me peças sorrisos.
Os meus sorrisos
São tudo o que sofri
E o que chorei!


O meu sorriso
Disfarça um rosto duro
De quem constrói a estrada
Por onde há-de caminhar,
Pedra após pedra
Em terreno difícil...
Onde me descobri na vida!
As selvas desbravadas
Escondem os caminhos
Por onde hei-de passar!
Mas hei-de encontra-los
E segui-los
Seja qual for o preço!...
Então
Num novo catálogo
Mostrar-te-ei o meu rosto
Coroado de ramos de palmeira
E terei para ti
Os sorrisos que me pedes!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Sussurros

Gemidos
Sussurros

Lábios, pele, beijos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver

Nunca quis pertencer-te
Tão livre, e eu nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em mim mesma
Minha nudez
Meu prazer
Eu queira ser
Tua, talvez, eu nem sei
O que senti
Ao ver-te me olhando
E eu gozando,

Vem, quero o teu beijo, o teu corpo
Estou gemendo
Sussurrando
Os meus lábios procuram-te
Eu tento dizer
Que te amo
E que não vou me arrepender

Regresso Ao Silêncio

Nas frágeis vidraças do meu coração
Tomba agora, a chuva, copiosa e fria
E há cascatas de mágoa e de melancolia
Em meu rosto a bailar ao sal da emoção...

Pressinto a tormenta, ao largo da razão
Rugindo desvairada, em dolorosa agonia
E, qual Alma penada, reclamo, vazia
Por alguém que me veja e estenda a mão!

Na noite disforme, ninguém... Apenas breu!
Sombras dantescas tão nuas e sós, como eu
Remoinhos de folhas que dançam ao vento...

No inferno do temporal que m' assola o olhar
Dissolvo-me em nada, como a espuma no mar
E regresso ao silêncio do meu pensamento!

Palavras Apenas

Escrever... significa apenas o libertar da alma,

Aquilo que o coração tem medo de sentir.
É como uma fuga de pensamentos profundos,
Que escapa por entre a tinta de uma caneta vulgar.
É uma maneira mágica de chegar à intimidade dos seres,
É estar em harmonia com a natureza e com a fantasia que a envolve.
As palavras, têm a capacidade de nos fazer reflectir sobre as nossas próprias ideias,Elas constituem um permanente desafio, àquilo que julgamos pensar...
No momento em que escrevo, a minha inspiração vai viajando...
E quando, finalmente solto o inconsciente,
Dou comigo a projectar desejos,
Sentimentos e emoções que deixo passar como um desabafo...
Tudo é tão fácil de adivinhar,
Quando as palavras são a única forma de comunicar...!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Filho



É no castanho risonho dos teus olhos que se escrevem a cada instante as linhas do meu presente…

É na firmeza das tuas mãos que germina a flor da esperança que deposito na humanidade…

É lambuzada no mel dos teus beijos que o meu dia se espreguiça e se esgueira alegremente dos braços da lua…

É no horizonte rasgado do teu sorriso que o sol nasce todos os dias no meu olhar…

É à garupa do teu forte carácter que galopam todos os meus sonhos…

E no menear ainda um pouco inseguro das tuas asas que eu sacudo o pó acumulado sobre os meus dias…

É no aconchegar-te que eu tomo o pulso à vida que lateja em nós…

E no calor dos teus abraços que eu me sinto bela e feliz…

É na doçura da tua voz (quando dizes “gosto muito de ti mãe”) que eu me sagro vencedora, em cada dia…

Tu és o mais belo botão de rosa que perfuma o meu jardim…

É do maior amor do mundo que se faz tudo o que sinto a explodir dentro mim…

Filho…TU és o melhor presente que a vida algum dia me podia dar!

AMO-TE!