terça-feira, 8 de abril de 2008
No Tempo de Uma Vida...
Vieste, abriste-me uma janela na alma, invadiste os meus pensamentos, ocupaste, o vazio deixado em mim. Sentaste-te na minha cadeira, recostaste-te e ficaste ali, falando de magia, mostrando-me o sincronismo do universo. Irradiaste a luz de um final de verão, falaste-me do sol, da sua energia, iluminaste o espaço escuro e vazio, desta floresta de sombras, onde me sento, para contemplar a minha solidão. De repente, a natureza envolvente, coberta de luzes vazias de calor, renasceu, floresceu, com os raios de luz que nos oferecias. A energia que te envolvia, ofuscou os meus olhos e de repente acreditei, acreditei ter encontrado a paz, o fim da história, acreditei ser a última mulher, acreditei ter terminado a missão. Mas, a tua chegada foi tão inesperada, como a tua partida. Foste a abertura que deixa passar os raios de sol por entre as nuvens da tormenta. Foste a brisa fresca, numa tarde quente de verão. No tempo de uma vida, a tua presença não passou de um prelúdio, de um instante, entre o inspirar e o expirar, entre um segundo e o próximo. Os bons momentos de magia, são aqueles que conseguimos executar tão rápido, que quem nos observa, não vê nada, apenas aquilo que queremos que veja. Afinal não somos magos, não existem fadas, e os alquimistas apenas vivem nas páginas dos livros, ou nas letras das canções. O silêncio voltou, as sombras agudizaram-se, a cadeira está vazia, mas os meus olhos ainda não se adaptaram à escuridão do local, nesta floresta, fria e silenciosa, onde venho sentar-me, e esperar...
Postado por @--}--- de £ótus às 21:34 4 Marquinha(s)
O Último Suspiro de Sol...
Penso em ti, sigo pela estrada, sem olhar o caminho, a minha mente está longe, como o sol que teima em cair sobre as colinas à minha frente. Nunca te convidei para vires ver o pôr-do-sol comigo. Em tanto tempo que partilhamos juntos, nunca saboreamos este instante, a despedida do dia, talvez por temermos as despedidas, ou simplesmente porque sempre nos pareceu termos tempo para o fazer um outro dia qualquer. Pensámos, erradamente, que o pôr-do-sol é igual todos os dias, e não o é! Subo a colina, a derradeira despedida está perante os meus olhos, invade toda a planície. Sento-me e contemplo. O sol, agonizante, de laranja vestido, afaga-me a pele com a suavidade do calor da tua pele. O horizonte reparte-se entre o negro, o vermelho diabólico e o azul celeste. Tento afastar-te do meu pensamento, mas insistes em voltar. Sentas-te a meu lado como se sempre estivesses aqui, sinto a tua cabeça pender sobre o meu ombro e fico ali, vendo os raios de luz transformar as cores a cada instante, mudando a paisagem, fazendo as sombras agigantar-se por detrás de nós. O último suspiro de sol, desvanecesse por detrás do horizonte e subitamente o céu ganha um novo brilho, como se o dia estivesse de novo a querer nascer, como se tivesse sentido a minha saudade e quisesse voltar. Não, é apenas um momento, o momento em que de facto te sinto ali, comigo, esperando a noite chegar, deixando o dia partir. Juntos vimos a primeira "estrela" acender-se no firmamento, a "estrela da tarde", Vénus, o planeta do amor, brilha, como um anel de diamantes no azul que aos pouco se vai tornando escuro. Fecho os olhos, inspiro profundamente e recosto-me sobre a colina, esperando que um dia possas, realmente, partilhar a beleza mágica que é a despedida do dia, ou quem sabe, o nascimento, de uma noite de sonho.
Postado por @--}--- de £ótus às 21:24 0 Marquinha(s)
Nasceu mais uma estrela no firmamento.
Sensações de profundo prazer, desejos inflamados, sentidos ao rubro. A minha pele arde ao tocar a tua, os meus dedos, como gotas de água, refrescam o teu corpo, a cada toque, a cada beijo. Evaporam-se os pensamentos, apelamos aos céus o silêncio que as bocas já não conseguem calar. A minha língua percorre-te o corpo, da nuca aos pés, por trilhos perdidos, por planícies húmidas de prazer. Sinto os sulcos da tua pele, que se arrepia ao passar da brisa da minha respiração. O meu corpo, incandescente, prolonga o momento, em carícias perdidas, adocicando-o com palavras de amor. À nossa volta, o vazio instalou-se, o silêncio cobre a noite com um manto de estrelas. Entre os corpos entrelaçados, o tempo acabou, o mundo acabou, a vida terminou, entre nós, não existe nada mais, só tu, só eu, nós. Neste momento, em que me invades, com a suavidade de uma pluma, os teus olhos irradiam a luz do sol e os meus, absorvem o brilho das estrelas. Um suspiro profundo, simultâneo e belo, escapa-nos por entre os lábios colados. Esta noite será infinita, não acabará mais, a eternidade toca-nos e vemos a beleza de um amor contido, que agora, se liberta num espasmo, com uma explosão de energia que brilhará para sempre no universo. Nasceu mais uma estrela no firmamento.
Postado por @--}--- de £ótus às 20:55 0 Marquinha(s)
Lezíria em Flor
Minha alma é soneto ébrio d’amor,
É farta de rubor,roseira em alvoroço,
Agora que o meu corpo é brando e moço,
Agora que toda eu sou leziria em flor...
Os meus olhos são esmeraldas afogadas,
Debaixo de finas rendas de Ametista...
De onde minha alma de mulher avista
Turris Ebúrnea das paixões imaculadas...
Há rendas de prazer no nosso leito,
Como se de brocados o nosso amor fosse feito.
Ama-me estonteadamente...põe-me louca!!
Flamejam ao longe velas e mastros:
Beijos teus, subindo ao alto como astros,
Ao rubro poente da minha boca!!...
Postado por @--}--- de £ótus às 20:30 2 Marquinha(s)
Busco Os Teus Sinais...
Busco teus sinais
e exorcizo o tempo.
As entranhas das palavras
soltam o grito
e a noite com seu manto
cala teu nome
que soletro...
Eu sei que o galo canta
outro ritmo(que dizem diurno)
– apenas riscos coloridos
num céu estranho!
A alvorada de ti não lhe pertence
nem decifra as cores
em que te pinto
nem a mágica poção
nem o cáliceque bebemos...
Por isso
deixarei que tempo vadio
te traga de regresso
(que em meu remorso expio)
recolhendo tuas veste
se nua
beber-te na hora certa!
Postado por @--}--- de £ótus às 20:16 0 Marquinha(s)
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