segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Apenas a brisa me olha...











Escuto cada ruído do meu corpo,
A brisa pinta-me na pele a tua mão e esta,
Desenha os contornos do meu seio…
Ao de leve,
Tão ao de leve, que pensei ter imaginado…
Sinto os teus lábios no meu pescoço
E fecho os olhos, à espera de um beijo
Mais quente, mais apaixonado…
Mas apenas ouço a porta a fechar-se suavemente,
Ficando eu apenas, e a brisa…
Fico desnuda, exposta ao mundo
Já sem segredos, sem sonhos, sem anseios…
Aqueles, que te revelei docemente
Em noites de lua cheia em que me completaste…
Fico parada,
A relembrar esses momentos de loucura total,
Essa doce paixão…
Essa sensação de acordar feliz
E novamente adormecer,
Sossegada e confiante por pensar
Que serias meu para sempre.
Tenho frio, mas não me cubro.
Estou cansada de estar de pé, mas não me sento…
Apenas a brisa escuta agora os ruídos do meu corpo…
Apenas a brisa me olha…
E estranhamente,
Não sinto vergonha de estar assim,
Desnuda para o mundo…

domingo, 25 de novembro de 2007

Desejos...













Vejo-te, a cada instante, como se estivesses aqui.
Abraço-te, e sinto o teu corpo, colado ao meu.
Desenho-te, sobre a tela branca, contornos de um corpo
Que sinto com a ponta dos dedos.

O teu corpo incandescente aquece o meu, gelado,
Derretendo-me os sentidos.
Num instante, a escuridão da noite ganha luz própria
E sinto-te sobre o meu corpo.

Falas-me ao ouvido enquanto eu percorro
Com a palma das minhas mãos a tua pele.
Hoje, nesta noite fria,
O gelo é queimado pelo desejo de nos amarmos.

Os corpos, desejam-se e as almas abraçam-se,
As nossas bocas colam-se em pequenos beijos,
As minhas mãos cravam-se com força sobre as tuas costas,
A tua boca chama-me.

Respondo-lhe com a ondulação suave do meu corpo,
Beijo os teus lábios docemente,
Devoro a tua língua, que se adentra em mim,
Oferecendo-me segredos nunca revelados.

sábado, 24 de novembro de 2007

Consigo Tocar-te a Alma Com Um Sopro.










Na penumbra do silêncio, sinto-te chegar com o perfume do incenso que arde, com a suavidade do fumo que se desprende da combustão. A música mescla-se com a essência do perfume, e o meu corpo envolve-se no teu, como se fossemos apenas um só. Há uma eternidade que não te via, há um instante que te desejava, e, agora, estás aqui. Envolto nesta cortina de fumos e cheiros, vejo-te, transparente, como sempre foste a meus olhos, como cristal, como água que brota do nada e me banha todo o corpo, num toque suave, tranquilo, como se sempre tivesses estado aqui, como se nunca me tivesses deixado à tua espera.
Nesta eternidade, feita apenas de um momento, a seda cobre-me o corpo, que é o teu também, a saudade abraça-me a alma, e o teu corpo sacia-me os desejos. Há séculos que não te sentia chegar, quase não sabia como eras, e estás aqui, mesmo a um milímetro de mim, sinto o calor do teu corpo, e consigo tocar-te a alma com um sopro. Ao ritmo da música que fazemos tocar, os corpos ondulam sobre o espaço vazio, sem se tocarem, numa dança sensual e suave, prolongando a ânsia de se terem por apenas este momento de eternidade.
Este instante, em que rasgamos o tempo, as barreiras e os compromissos, atravessamos dimensões, quebramos as regras estabelecidas, para matar a saudade que perdura, por toda a eternidade, fazendo deste lugar, o momento em que tivemos a coragem de nos entregar a nós próprios, entre um segundo e o próximo, entre a realidade e a ficção, entre o permitido e o por demais proibido, só, para nos consolarmos, só, para nos desafogarmos, só, para nos termos, nem que fosse, entre um segundo, e o próximo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Encontro-me Muda











Estou completamente,
Desesperadamente,
Irredutivelmente,
Totalmente,
Irritadamente,
Sem palavras…
Encontro-me muda!
Porquê?
Porque há momentos em que as palavras não chegam.
Há alturas para as quais,
As palavras não bastam.
Entristeço-me...
e tudo porque nada mais tenho para te oferecer.
Restam-me as palavras...
Palavras que não tenho agora.
Palavras que te toquem,
Como eu, não posso tocar-te.
Letras que tu vejas,
Como eu, não posso ver-te.
Frases que te amem
Como eu, não posso amar-te.

domingo, 11 de novembro de 2007

Hoje despi-me...













Hoje despi-me
Mordi a maçã
Vesti-me de serpente
Envolvi-te no meu Eu
Fundi a minha pele com a tua
O meu cheiro com o teu
Sorvi os teus lábios
Senti a tua pele quente....
Hoje despi-me
Transformei-me numa gota
Rolei pelo teu corpo
Transformei-me num rio
Cai no teu mar
Formei ondas, tempestades
Naveguei em ti
Ao sabor dos ventos
Hoje despi-me
Transformei-me num olhar
Quente, doce,
Lânguido e ansioso...
Hoje despi-me só para ti....

Detalhes


Mesmo que quisesse, não poderia enumerar, todos os momentos que penso em ti durante o dia.

São, como pequenos lampejos, que involuntariamente me afloram à mente, e me mostram o teu corpo, como que recortado em pequenos quadros. É assim que te vejo, detalhe por detalhe.
São imagens que me ofuscam a vista, como se fossem contracções musculares, são imagens que teimam em não me deixar um segundo sequer.
Definitivamente, fazes parte de mim.
E quanto mais, mentalmente te vejo, mais te admiro. E não te admiro como o que és, mas sim, pelo que representas em todos os sentidos. Até mesmo, nos momentos em que despercebidamente te observo, me perco em detalhes tão pequenos, mas ao mesmo tempo, tão admiravelmente interessantes, que só após algumas tentativas, consigo desprender o olhar de ti. E quando me chega a tua voz, chega, como se estivesse a alguns anos luz de distância. Sem te escutar, observo o movimento dos teus lábios que me parecem mais, com pequenas borboletas, que dançam suavemente diante de meus olhos.
A cada dia, a cada hora, a cada minuto e a cada segundo, lamento que tudo tenha sido tão fugaz!
Mesmo que quisesse, não poderia enumerar todos os momentos em que não penso em ti....são tão poucos, que quando penso neles, não os percebo, apenas te vejo, detalhe por detalhe...

Tu & Eu





Tu,
A devorares-me com esse olhar…

Eu,
Tremendo de antecipação.

Aproximas-te…

Vais-me enleando
Nessa teia de sedução…

Fecho os olhos
E o mundo pára.

Sinto o teu cheiro…

O teu toque é um rastilho
Que nos leva ao frenesim…


Tu e eu
Os corpos ardentes, febris.

Intumescentes…

Amando-se
No encontro de reentrâncias…

Libertando mistérios,
Soltando suspiros.

E gozando…

domingo, 4 de novembro de 2007

Onde Quase Ninguém Alcança...


Existe aqui, dentro deste espaço, algo sem nome. Os teus olhos parecem alcançar além. Da tua pele pálida, uma luz, um tom de vermelho suave, umas manchas feitas de sardas que ornamentam o rosto de um modo invulgar. No sorriso, tão largo, tão grande e elástico, as palavras... contendo-se: a adquirirem silêncios para se manifestarem com sensatez; a tornearem, com acato, com cautela, as próprias palavras.
Dentro desse azul eléctrico, nesses olhos redondos que procuram observar cada pormenor e reconhecer em outros, a magia e a verdade. Neles, transparecem o branco, o brilho da luz do dia, a ansiedade engrandecida com quanta determinação.
E, sob as sobrancelhas cerradas, incertas, a inocência. É a inocência confluída com a sensualidade, diante doutros, diante do vazio, diante do que parece tão limitado ou infinito. O infinito, além, aqui, inerte, absorto, ávido, deixando-se alcançar num momento fugaz. Na pele pálida do rosto, de onde se alastra o branco que percorre o pescoço e que decorre sobre os ombros e os braços, a suavidade, o aroma adocicado. Puro. O silêncio é puro. O riso é puro. A gargalhada é pura. Os sentimentos, resvalando como se fossem troncos vivos e robustos, cravam-se na terra, no toque da pele de outros corpos, nas expressões singulares que o rosto vai encontrando naquele ou noutro. São as emoções, as recordações, os sorrisos, as lutas desordeiras, a ecoarem os gritos de força e de coragem. É o cheiro a terra batida debaixo dos pés e o tacto das mãos nas próprias mãos, as palavras oscilando entre a ternura e a dureza, o coração a ser abrupto nessa forma emotiva de sentir. Debaixo da luz do céu, o amor a querer crescer, o amor a querer vencer, o amor a querer contrariar tudo o que o impede de se expandir. É debaixo das horas e dos segundos, quando tudo se silencia, que o intocável faz sentido. É sob os silêncios e sob os sorrisos carregados de genuinidade, que um sentimento se transforma, até que seja, apenas selvagem: genuíno e violento. Debaixo, pois, onde quase ninguém alcança... está o AMOR.

Neste Banco de Jardim


É neste banco de jardim
Onde me sento
Que te lembro e que me esqueço
É aqui que o meu pensamento
Voa até ti
Nesta saudade
Que não tem fim…
Nesta dor de te ter perdido!
Foste-te, sem te despedires
Não mais verei o teu rosto,
Não mais, nos teus braços,
Me irei aconchegar.
Os teus lábios,
Já não têm calor para me dar.
Deixaste-me…
E agora meu Amor,
Que vou eu fazer sem ti?
Vivo à míngua da tua lembrança…
Vivo?
Não, não creio que esteja viva
Eu já estou morta!...
Neste banco de jardim.