domingo, 23 de dezembro de 2007

Voo Solitário


Parti, para uma viagem sobre mim, na direcção do infinito. Segui a direcção do mar, o oceano inundava-me o olhar, as lágrimas fundiam-se nas águas frias, estirei as asas, parti.Neste voo solitário, rodeado de outros, voei, para longe do teu calor, para longe de ti. Precisava sentir a tua ausência, não aquela que já carrego no peito, mas a física. O vento, frio, as nuvens, cinzentas, a noite, escura, foram os companheiros da minha alma, que ao ganhar distância, se sentia desnorteada, vazia, ôca. Perdi o tempo, envolto em memórias de ti, em imagens de nós, a tua voz, foi a melodia que escutei nas asas do vento.Parti, para longe, muito longe, isolei-me no meio deste mar imenso, deixei-me ficar, esperando-te, esperando que desses pela minha falta, e deste!A chuva, disfarçava-me as lágrimas que me percorriam o corpo, o vento, levava para longe os meus prantos, escondia o teu nome em cada rajada. As ondas, impunentes, abafavam o som da música que sempre tocaste para mim. Tremi, não sei se de frio, não sei se de solidão. Ali, de pé, sobre aquela rocha negra. esqueci-me do tempo, qual estátua perdida numa baia qualquer. Um anjo petrificado, esperando por um toque dos teus dedos para renascer para a vida.A tua ausência esmagou a minha alma, o teu silêncio rasgou-se no rebentar do trovão, um raio de luz, electrizante e letal, despedaçou o anjo, atirando ao oceano, cada pedaço, cada pena, deixando a rocha, negra, vazia.Todas as tardes, desde então, uma gaivota vem pousar naquele rochedo. As pessoas que passam, olham-na, solitária, sempre a olhar o horizonte, para lá do mar. Contam os pescadores uma velha lenda, que um dia, uma alma perdida, morreu de amor, numa noite de tormenta, enquanto esperava pela sua outra parte, ali, sobre aquela rocha.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

À Procura do Amor...


De volta ao meu caminho, nesta incessante procura de ti, sigo viagem rumo ao desconhecido. Vou colhendo pedaços de ti, naquele anjo azul, naquele passo mágico, resquícios que me dizem que já estiveste ali, mas que já partiste. Encontro-te em muita gente mas, apenas por um instante, apenas como um truque, um passe de magia, porque, no segundo seguinte já lá não estás.Houve um momento em que acreditei ter chegado antes de ti, ter-te recebido de braços abertos, ter-te dado a minha alma, ter ficado contigo. Este instante, de anos feito, revela-se agora vazio de ti, deixaste-me a tua lembrança, mas a tua alma, voou, para outro abrigo, deixando-me atrás no tempo. Mais uma vez, devo seguir o meu caminho, procurar-te, numa outra forma qualquer, encontrar-te num olhar de emudecer.Dou comigo a pensar, se não seria melhor deixar-me ficar, quieta, esperando que tu me encontres, voluntariamente, sem fugires de mim, neste jogo que nos leva à loucura, numa partida onde apenas os breves momentos de encontro, satisfazem a saciedade de uma saudade prolongada que se arrasta com o próprio tempo. Sobra-me a tua ausência, falta-me a força que me impele a procurar-te de novo. Quiçá num último fôlego, de novo só, sigo pelo estrada infinita, procurando-te, nesta derradeira viagem que um dia me fará acabar numa berma qualquer do caminho, morta pela tristeza de não te encontrar, desfalecida pela angústia de pensar que não queres ser encontrado…

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

e nesse momento, o mundo parou...



Esta saudade que carrega o tempo sobre as costas, faz vergar os corpos, que cedem à ausência do outro.
A proximidade é como um íman, atrai-nos, chama-nos.
O teu corpo gritou ontem pelo meu, num grito em silêncio, que apenas o olhar soltou.
O meu corpo agitou-se, sentiu o teu chamamento, estremeci por dentro na ânsia de que tomasses a iniciativa de te aproximar. Senti-te vir, com a tranquilidade da brisa suave, de mansinho, chegaste o teu corpo ao meu, deixaste que te acariciasse, olhaste-me nos olhos, sentiste o meu calor, colar-se ao teu.
Os meus dedos, gelados pela tua ausência, ganham fulgor ao sentir a tua pele, tornando-se, num ápice, em línguas de fogo que se fundem com a erupção da tua pele. Abraço-te, com a delicadeza duma pluma, sentes as minhas mãos sobre o teu corpo e deixas-me sentir a segurança que sempre encontrei nos teus braços.
Neste momento, a criança perdida, sente-se protegida.
A mulher, que outrora estava só, sente-se completa.
A alma, triste e cinzenta, encheu-se de cor, e juntos, ganhamos asas para voar. Senti o toque dos teus lábios, sobre os meus, senti, o gosto da tua boca sobre a minha, senti, os teus braços envolverem o meu corpo como se me cobrisses com um manto de amor.
Deixei que os meus olhos se fechassem, entreguei os sentimentos à alma que me transportou junto contigo para a eternidade de um momento em que nos completamos, em que matámos a distância, a ausência e a saudade, num beijo lânguido, num abraço apertado, mesclando a fragrância do teu corpo, com a essência da minha alma duma forma mágica, e nesse momento, o mundo parou em nosso redor, por uns instantes, para suspirar.

Tristeza


O amor, flor delicada,

Sensibilidade esperada, desejo alcançado.

O amor, espinho cravado,

Sentidos perdidos, angústia esbanjada.

Perco-me entre as palavras de amor que te escrevo,

Entre os desejos que te confesso,

Entre a dor de te partilhar e a alegria de te desfrutar.

Difícil,

Este sentimento inexplicável,

Em que te tenho sem te ter,

Em que és meu sem o seres.

Perco-me nos pensamentos que invento,

Nas magias que crio, na realidade que não comporto,

E evaporo-me,

Pela volatilidade de ser aquilo,

Que o meu corpo não compreende,

De desejar aquilo que não alcanço.

Silêncio, faço-me dele,

Encho-me de nada para te dizer o que não sinto,

Para te esconder o que não quero revelar.

Invento-me!

Quando se ama com a intensidade de uma tormenta,

Tudo em nós é exageradamente forte.

Dos sentidos às reacções, do tudo ao nada.

Ficar aqui, afogada em mágoas,

Perdida em pensamentos destruidores,

Apago em mim, o que de mais terno sinto por ti,

A loucura sufoca-me e eu deixo-me sucumbir,

Ao momento em que tenho de te oferecer,

Ao momento em que te dás a outras,

Sem nada por fazer, sem nada por conter,

Deixo-me apenas morrer,

Esperando renascer para outro alguém,

Que consiga, simplesmente absorver-me,

Que seja capaz de me compreender.

Hoje,

Acordei com a sensação de que iria ficar profundamente triste,

E fiquei!...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Gotas… pedaços de mim!











Gotas de água,
Lágrimas choradas,
perfume da tua essência.
Um mar de sentidos que transborda do olhar,
Perdido em ausências, encontrado na saudade,
Preenchido de vazio intenso.
Lágrimas salgadas,
De desilusão e de tristeza,
Que salpicam a praia da alma.
Intensas, como as chuvas de Abril,
Suaves como as tempestades de verão,
Igualmente vazias como o coração ausente.
Perfume intenso, envolvente, doce como o mel,
Suave como a brisa de uma manhã de primavera,
Terno, como o toque da seda na pele.
Gotas de suor,
Quando o corpo é levado aos limites,
Quando o amor é elevado à eternidade de um momento a dois.
Gosto salgado da pele,
Quando a boca a devora
Em beijos perdidos,
Na imensidão duma paixão esquecida.
Mar imenso, de sal salpicado,
Que invade a praia da saudade,
Que se revolta contra a dureza da rocha,
Que insiste,
Que persiste em inundar abismos
E afogar a esperança juntamente com a mágoa.
Gotas de água cristalina,
Que mata a sede,
Que lava o espírito,
Que sacia a vida,
Diluindo a distância,
Envolvendo os corpos perdidos de luxúria.
Filtro redentor,
Que enaltece a paz duma alma revolta,
numa tempestade tropical.
Gotas,
Pedaços de um todo,
Pedaços de mim!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Dispo-te a alma


Dispo-te a alma, com as minhas palavras.
A cada sílaba, a cada frase,
Toco-te, como se fosses real,
Como as mãos que tocam a pele,
Assim os meus sentidos se envolvem nos teus.
Tiro, cada peça que te cobre,
Que te esconde, nesse emaranhado de barreiras,
Que erigiste para te proteger,
Avanço, a cada letra, com a suavidade da seda.
Encontro-te, na profundidade de um ser mágico,
Onde apenas a luz habita.
Quero beber a tua essência perfumada de mel,
Polvilhada de canela.
Quero amar-te,
Mas quero fazê-lo através da alma.
Inebriando-te os sentidos,
Acariciando-te no brilho do teu ser.
Os corpos já dormentes,
Porque os sentidos se fundiram,
Deixam-se envolver,
Toco-te no rosto, suave, tranquilo.
Os meus olhos penetram nos teus,
Os meus braços envolvem-te o corpo,
Dançamos,
Com a suavidade de uma pena em suspensão.
Totalmente,
Para lá do tempo, do espaço,
Voamos sem ter asas,
Passando entre as estrelas.
Cá em baixo,
Sobre o chão coberto de almofadas,
Os corpos devoram-se,
As bocas coladas,
Suspiram ao ritmo da cadência dos movimentos,
Retorcendo-se em espasmos de prazer,
Em momentos de loucura.
Nessa noite, fizemos o dia nascer várias vezes,
Percorremos galáxias distantes,
Dê-mos o corpo e a alma um do outro,
Mesclámos essências e fluidos,
Com magia e sedução,
E ao ritmo do fluir das palavras,
Criámos a eternidade,
Em suaves pinceladas de amor.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Almas Gémeas

No silêncio profundo da noite escura. Perdida do meu corpo, que não me pertence. Entrego-me na busca incessante da tua alma, que se encontra, nas sombras da floresta dos murmúrios que nos fustigam. Uma alma que vagueia sem destino nenhum, apenas procurando por outra que gémea se lhe assemelhe, que de sentimentos cheia, outros tantos sentimentos procura. Desprezamos o que é meramente mortal e oferecemo-nos a eternidade, num mundo, onde o tempo não existe e apenas os sentidos semeiam a luxúria que nem os corpos podiam imaginar existir, sentir ou desejar. Porque, neste espaço fechado onde eu te possuo, apenas existe o meu ser e o teu, ambos unidos pela sede de estar juntos, pela vontade de quebrar as regras que a gravidade impões aos corpos e que enquanto almas não padecemos. Estas emoções, por tanto tempo aprisionadas sobre as grades de vidas diferentes e caminhos mal trilhados, explodem, numa vaga enorme, que se arrasta por todo o oceano. Libertando as suas forças ao chegar à areia da praia, adormecendo sobre ela, como tu adormeces sobre o meu colo que te ampara e protege da tempestade da vida, afagando-te os cabelos e deixando-te dormir como se faz a uma criança. É neste turbilhão de emoções que as nossas almas encontram a paz, que os corpos não podem jamais sentir. É nesta paz, que o amor atinge a eternidade, e que acreditamos que a felicidade existe.