
Essa menina chamada felicidade, aparece só, a quem acredita nela e a quer ver.
Pode ser uma constante na vida de alguém, mas nem sempre é, o reflexo de uma vida fácil!
Muitas pessoas têm imensos problemas na sua vida, e só, quem passa por eles, sabe dar o real valor! No entanto, são tão teimosas, que não permitem que esses problemas, alguns até, demasiados castradores, lhes tirem, o que elas têm de mais precioso - o gosto e a alegria de viver.
Na minha opinião, para sermos felizes, temos mesmo de ser, muito, muito teimosos!
Apesar de todas as vicissitudes, podemos ser capazes de nos sentir felizes, se aprendermos a ir buscar força anímica e alegria, a pequenos, grandes nadas!
Vejamos o meu caso em particular:
- Tenho sempre um sorriso estampado no rosto,
- Parece que vendo felicidade,
- Sou, dizem, doce, talvez porque sou tolerante, paciente e não gosto de magoar, pelo menos, não mais que o necessário.
No entanto, e apesar de toda essa aparência, tirando o meu sorriso que é inato, sou assim, porque me esforço para o ser. Luto todos os dias, com todas as minhas forças, para não me deixar derrubar pelas pancadas que a vida me dá e, não têm sido poucas!
Se fizer uma retrospectiva da minha vida poderei dizer, que ela só foi fácil e, realmente feliz, até ao momento em que (depois de dias, metida no meio de uma guerra que não entendia. Onde eu, os meus pais e os meus amigos, nos vimos de repente, obrigados a rastejar na nossa própria casa, para não sermos atingidos, pelo fogo das balas e granadas, que lá fora destruíam tudo), deixei os meus pais e a terra que me tinha adoptado para trás.
Quando a minha mãe me deixou em Luanda, entregue a terceiros, para me trazerem para a Metrópole e regressou a Carmona para junto do meu pai e eu deixei África, a minha vida nunca mais voltou a ser o que era!
Vivi 5 meses (uma eternidade), sem saber dos meus pais, se eram vivos, ou se eram mortos.
O sentimento de solidão, medo e abandono foi enorme! Eu era uma menina de 13 anos, a entrar na adolescência, mas soube logo, naquele momento, que não teria tempo, para viver crises de identidade. A minha vida, a partir dali, não teria tréguas nem facilitismos. A partir dali, eu teria que buscar, por mim própria e onde quer que fosse, a minha cota de felicidade e bem-estar.
Sofri na pele, o estigma do retornado. Mesmo no seio da minha própria família, houve elementos, que fizeram sentir que não era bem-vinda, que era um peso!
Tudo isso, em vez de me derrubar, ajudou-me a crescer como ser humano. Tudo isso ajudou, a tornar-me, a pessoa forte que sou hoje!
As dificuldades porque passei nesse tempo e as que a vida me tem continuado a fazer passar, em vez de me deitarem abaixo, têm-me feito forte, aguerrida e até em certas situações, destemida. Não permiti, que fizessem de mim, uma pessoa dura, amarga, ou revoltada. As privações e o sofrimento, ao contrário, ajudaram-me a ver as coisas sempre, por uma perspectiva optimista e pensar com os meus botões:
- Amanhã vai ser melhor!
Não me permito, estar dependente de coisas exteriores a mim, e à minha vontade para ser feliz. Porque sei, que tudo é efémero! Quando julgamos, que estamos bem e que nada mais pode piorar, vem a vida e diz-nos, nem sempre com gentileza:
- Menina, não é assim não, ainda vais ter muito que penar!
Então, se é assim, há que tirar partido de todas as gotas de felicidade que vão caindo, para que possamos ir saciando a nossa sede e não permitir, que fiquemos secos e desidratados.
Às vezes, esta forma optimista de ser, provoca incómodo, mas o que é que eu vou fazer, eu sou assim, terei que pedir desculpa por isso?
Apenas sou, uma mulher, que quando as coisas não lhe correm de feição, não se lamenta, não coloca a culpa em ninguém, não se revolta contra a vida e as pessoas e, principalmente, não baixa nunca os braços! Vai à luta, e se nessa luta, como é normal, tiver que sair com algumas escoriações, não importa, desde que no final, atinja o que se propôs...
SER FELIZ!