domingo, 11 de maio de 2008
Hoje, vivo apenas.
Entre a fuga das palavras e a debandada dos sentidos, o corpo, só, entregue a si mesmo, caminha desordenadamente sobre os trilhos da vida. O segredo, envolto na alma, os sonhos, enrolados em seda, carrego comigo as minhas heranças, dentro do peito, e vagueio na deriva dos tempos, não procurando encontrar-me. Os meus dedos, esquecidos das palavras, os meus olhos, fechados, negam-se a ler, a pele, adormecida, já não sente, os ouvidos, surdos, não deixam entrar a música que desperta as palavras. Neste espaço, neste lapso, entre um instante e o próximo, respiro, suavemente, adormecendo o corpo, num sono vazio de sonhos, numa estória sem palavras, numa música em silêncio. Não espero por ninguém, não sonho com nada, não vou a lado nenhum, completo apenas o ciclo da vida, dia, noite, acordar, adormecer, andar, parar. Alimento o corpo, com energias que não saboreio, apenas para o manter funcional, é preciso cumprir o destino, é preciso seguir o caminho, até encontrar o princípio.
Hoje, vivo apenas.
Postado por @--}--- de £ótus às 17:30
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