
No meu corpo
Vivem as marcas de todas as guerras
Chagas de todas as dores
Feridas de todos os amores
No meu corpo
Vivem as cicatrizes de todos os lamentos
Gritos de dor... momentos
São valas de verga, carne viva
Neste corpo, o meu
Lêem-se todas as batalhas
Escritas a ferro
Desenhadas à mão
E tu amor
Quando um dia me desnudares
Lerás toda uma história
Massacre, martírio dormente
E neste corpo que me deram
Vivo aprisionada
Serei sempre alma
Viva noutro lugar
E nestas marcas fundas da vida
Nas veias, carne ferida
Vou continuar
Sentindo tormentos
E quando um dia meu amor
Olhares o meu corpo
Na pele encontrarás desgosto
Na carne, chaga viva
E se mesmo assim me quiseres
Então amor, oferece-me o teu corpo
Para que a minha alma se encontre
E recupere da vida
Tenho marcas de batalhas sem fim
Mas a guerra, essa, será sempre minha
terça-feira, 13 de maio de 2008
No Meu Corpo
Postado por @--}--- de £ótus às 22:01 4 Marquinha(s)
domingo, 11 de maio de 2008
Lágrima que já não cai
Tristeza
Que me invade os sentidos
A solidão é um convite
À morte dos dias
Lágrima que já não cai
Olhar dormente vazio
Nas últimas horas dos dias
Sofrimento
Que já não tenho nem sinto
Tu... ilusão, condeno
Feitiço quebrado
Aurora negra
És meu sangue parado
Morto, vidrado
Vazio
Tudo deixou de ser
De estar, de existir
Resta-me o vazio
Do meu olhar parado
Cálido, num corpo sem vida
Sentir
Qual sentir?
Se já não sinto quem sou
Nem sinto quem és, o que és
Ao que vens
Em mim nada habita
Nada floresce
Geada de pedra cresce
Erva daninha
São meus braços troncos
Estéreis, frios
Onde tudo finda
Fecundo é o mar que lava a alma
Na noite negra do meu baptismo
Rosa-dos-ventos
Perdida seara...
O fogo purifica os corpos
O mar os olhos...
Tristeza
É amar sem ser amado
É nunca ter sabido amar
É estar só e não saber ser gente
Tristeza
É ser tudo e não ter nada
É ver quem passa
Não tendo para onde ir também
Tristeza ... ah tristeza
É ter um sentimento que já não tenho
É saber-se nu sem ter o que vestir
É saber-se amado e não amar
És triste tu
Que só, continuas tua vida
Condenando a minha
Forma estranha de viver
Sábias palavras
Só é triste quem quer ser
Eu invento-me e renasço
Num mergulho profundo
No centro da terra
Pelo mar subo
Ao fim de mim
E quando julgares que é esse o meu fim
Estarei olhando quem passa
Rindo miséria e chorando alegria
Pois eu serei sempre assim.
Postado por @--}--- de £ótus às 18:11 1 Marquinha(s)
Mentiras
Mentiras são punhais
Cravados... reais
Na luz do dia… frontais
Na noite…escondidos
Nas sombras fatais
Partiste e como lembrança
Deixaste palavras malditas
Incertezas mortais
No rastro frases vendidas
Gestos...
Olhos mansos nos meus
Suavidade nas mãos
Sorriso... esse sorriso
Nada sei
Nada tenho
Mentiras!
Chamei tantas vezes o teu nome
No amor... na loucura... no calor
Será esse o teu nome?
Chamar-te-ia realmente?
Quem és tu que habitavas os meus sonhos?
Tu que sorridente invadias o meu espaço?
Que no meu corpo ganhaste guarida?
Nada sei de ti
Dizias tanto e tão pouco
Em gestos loucos
Somente o que contavas
Nas meias palavras de ti
Tecias vendavais no meu corpo
E dizias palavras tantas
E que sentido tinham
Na aurora do dia?
As noites foram promessas
Juras... ternuras
Aninhado no meu corpo
Julguei saber-te em mim
Mentiras, mentiras, mentiras
Que arrancaram aos poucos
Pedaços de mim
E subitamente vejo-me assim
Tiraste-me o chão...alteraste o norte
Sem raízes...nem caminhos
Morri aqui
Quem és tu?
Quem sou eu?
Quem fomos nós?
Postado por @--}--- de £ótus às 17:56 0 Marquinha(s)
A Minha Dança
Olho-te nos olhos
Ajeito a saia... longa... caída... solta
Dou um passo e paro
Olho-te...
Um pé desenha meio círculo no chão
Uma mão brinca com a saia
A outra na cintura
Olho-te... desafio
Viro-te as costas
Num rodopio
Acalmo a saia
Dou mais um passo e paro
Com as mãos acima da cabeça
Palmas... cada vez mais palmas
Começa o ritmo
Outras palmas se juntam
Corpo que se solta
Primeiro mansamente
Aos poucos
Membro por membro
Espaço no espaço
Tontura
ViravoltaParo!
Olho-te... sorriso... desafio
E a perna faz um círculo
Desenha território
É meu
O espaço… a terra...
Mãos e gestos devassos
Palmas… sempre palmas
Ao som da guitarra
Dos próprios passos
A saia acompanha o deambular das pernas
O corpo contorce-se
Cintura arqueada
Movimento
Som frenético
Olhar hipnótico
Palmas… guitarras
Gestos largos… compassos
Mãos que desenham universos
Gentes que se aproximam
Circulo fechado
Quente
Olho-te... desafio
Viro-te a cara
Cabelos soltos ganham vida
Saia vermelha sobe e desce...rodopia
Palmas... alimento
Cresce... vivo... quente… febril
Ritmo
Calor em movimento
Chamas vivas
Tudo é vermelho
O som...o ambiente
A saia...sangue quente
Fogo...fervilha
Dou-te as costas
Frenesim de passos
Guitarrada
Voltas e reviravoltas
Paro!
Ajeito a saia
Corpo que reluz
Molhado...
Mão na cintura
Por cima do ombro
Olho-te de lado
Desafio
Vens?
Descalça ou de salto
Flamenga ou cigana
Esta será sempre
A minha dança
Postado por @--}--- de £ótus às 17:39 0 Marquinha(s)
Hoje, vivo apenas.
Entre a fuga das palavras e a debandada dos sentidos, o corpo, só, entregue a si mesmo, caminha desordenadamente sobre os trilhos da vida. O segredo, envolto na alma, os sonhos, enrolados em seda, carrego comigo as minhas heranças, dentro do peito, e vagueio na deriva dos tempos, não procurando encontrar-me. Os meus dedos, esquecidos das palavras, os meus olhos, fechados, negam-se a ler, a pele, adormecida, já não sente, os ouvidos, surdos, não deixam entrar a música que desperta as palavras. Neste espaço, neste lapso, entre um instante e o próximo, respiro, suavemente, adormecendo o corpo, num sono vazio de sonhos, numa estória sem palavras, numa música em silêncio. Não espero por ninguém, não sonho com nada, não vou a lado nenhum, completo apenas o ciclo da vida, dia, noite, acordar, adormecer, andar, parar. Alimento o corpo, com energias que não saboreio, apenas para o manter funcional, é preciso cumprir o destino, é preciso seguir o caminho, até encontrar o princípio.
Hoje, vivo apenas.
Postado por @--}--- de £ótus às 17:30 0 Marquinha(s)
A Poesia de Um Momento!...
Na nudez da pele, carregando o erotismo de um corpo semi-despido, sinto-te chegar bem perto de mim, como o som de um poema, ecoando no espaço vazio. Vens, caminhando lentamente, ao ritmo de um bolero de Ravel, em movimentos de prazer. Eu, aqui sentada sobre a cama, na placidez dum momento, travo o tempo. Estendo-te o meu olhar, como uma passadeira vermelha, que te conduz a mim, nesta caminhada de luxúria, lascívia, que se funde com a ternura e a suavidade dum olhar que carregas em ti. Este prelúdio, em que ambos nos deliciamos com os olhares, prolongando a espera, evaporando o ar que nos rodeia, inflamando cada milímetro da nossa libido, deixando os desejos à solta pelo espaço que medeia entre os corpos. Esta louca, e simultaneamente doce espera, relembra-nos de nos esquecermos do tempo, e eterniza nos olhares que se cruzam, o amor que partilhamos entre as nossas almas. Este poema inacabado, em que nos tornámos, é apenas um rio, que nasce aqui, e enche o oceano inteiro, num fôlego de prazeres, desejos e sonhos, perdidos em nós, bem no fundo das almas, apenas traduzido pelas letras dos textos que te escrevo.
Postado por @--}--- de £ótus às 17:11 0 Marquinha(s)
Subscrever:
Mensagens (Atom)




