
O sol da meia-noite inflama o ar como uma bola de fogo evaporando as gotas da última chuvada. As sombras ganham forma e uma leve brisa sacode a folhagem ainda húmida. Misturo-me no vento que passa, envolta na maresia da madrugada e levando comigo o perfume do amor aos quatro cantos do Universo.
Percorro cada milímetro de pele deixando suaves gotículas deste perfume mágico que desperta os sentimentos. Neste voo infinito, percorro a Terra num segundo, deixando que o mundo da fantasia roce os corpos da realidade e sacuda as almas, para um acordar doce e terno.
Nem sempre se consegue abrir a alma ao sopro do amor, nem sempre o simples toque da essência permite que sintas entrar em ti uma nova vida, mas, nos corações mais sensíveis, a noite calma e tranquila transporta nas suas letras a fragrância da paz, e do amor eterno.
Invado-te, conquisto-te, descubro-te a cada letra que deixo cair sobre o teu corpo, a cada toque que não sentes, a cada sonho que te conto. Adormecido nesta noite que te embala sobre braços inventados de frases descritas, deixas-te levar, e a noite oferece-te as asas, que, plácidamente, te farão voar.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O Sol da Meia Noite
Postado por @--}--- de £ótus às 01:29 0 Marquinha(s)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Amizade por onde andas?

(Escrevi este texto há já algum tempo e vem no seguimento do último. Como o Ano está a terminar e ele faz parte do sentir deste Ano, resolvi deixá-lo agora aqui.)
Cada vez, tenho mais dificuldade em acreditar naquele sentimento doce e puro, a que chamamos Amizade.
Esta descrença é estranha, vinda de mim, uma pessoa normalmente positiva - crente nos outros e no mundo.
Pois é!
Até mesmo pessoas como eu (ingénuas), somos por vezes, confrontados com situações, que nos mostram, que não podemos ser assim tão confiantes e que mesmo, de quem menos esperamos, é capaz de vir uma traição.
Falo, naquelas amizades, que acreditávamos verdadeiras, sinceras, fortes e com boas bases de sustentação.
Infelizmente, cada vez mais, elas se revelam frágeis e com alicerces de barro.
É perceptível aqui e ali, uma nota de falsidade, de fingimento, de estórias mal contadas, ou contadas pela metade.
As pessoas, cada vez mais competem entre si... por tudo e por nada. Até os nossos "amigos", estão em permanente competição connosco, mesmo que seja unicamente, por uma atenção extra!
Será que não compreendem, que não vêem, que cada um tem o seu valor e o seu espaço. Que ninguém é igual a ninguém e que é na diferença, que se encontra a riqueza e a perfeição. Um, deve ser o complemento do outro.
Traiem-se amizades, por tão pouco. Por vezes, pela mera ilusão de que os outros, poderão dar-nos mais atenção.
Engana-se, quem assim pensa.
Engana-se, quem nessa ilusão, deita para trás uma velha amizade, em detrimento de uma outra, mais recente, na esperança de ter daquele lado, maior afeição.
Esquecendo, que a velha amizade, nos conhece já, do avesso e do direito e que nos aceita e respeita, mesmo que não esteja de acordo connosco.
Que a velha amizade, mesmo que distante, será a primeira a chegar perto, quando estivermos a precisar de apoio.
Que a velha amizade, mesmo magoada e triste, nunca virará costas e dirá sempre, presente.
Que a velha e verdadeira amizade, realmente fica feliz, com a nossa felicidade e muito, muito triste, com a nossa tristeza.
Que a velha e verdadeira amizade, não mente, não finge, não é hipócrita, não faz favores por fazer, não tenta agradar, mesmo não sendo essa a sua vontade.
Que a verdadeira amizade, é simplesmente verdadeira!
Tudo isto, muitas vezes é esquecido.
Tudo isto, cada vez mais é desprezado.
Tudo isto, cada vez mais é posto em causa e por isso, as pessoas, cada vez mais, estão sós e abandonadas!
Não devia ser assim! As pessoas não foram feitas para estar sós, mas cada vez mais, arranjam maneira de o ficar!
Nascemos com um dom enorme, que é a inteligência, mas somos tão básicos, que não sabemos usá-la em nosso proveito!
"A cama que fizeres, a camas em que te irás deitar"
Postado por @--}--- de £ótus às 22:48 0 Marquinha(s)