domingo, 11 de maio de 2008

Lágrima que já não cai


Tristeza

Que me invade os sentidos

A solidão é um convite

À morte dos dias


Lágrima que já não cai

Olhar dormente vazio

Nas últimas horas dos dias


Sofrimento

Que já não tenho nem sinto


Tu... ilusão, condeno

Feitiço quebrado

Aurora negra


És meu sangue parado

Morto, vidrado


Vazio

Tudo deixou de ser

De estar, de existir


Resta-me o vazio

Do meu olhar parado

Cálido, num corpo sem vida


Sentir

Qual sentir?

Se já não sinto quem sou

Nem sinto quem és, o que és

Ao que vens


Em mim nada habita

Nada floresce

Geada de pedra cresce

Erva daninha


São meus braços troncos

Estéreis, frios

Onde tudo finda


Fecundo é o mar que lava a alma

Na noite negra do meu baptismo

Rosa-dos-ventos

Perdida seara...

O fogo purifica os corpos

O mar os olhos...


Tristeza

É amar sem ser amado

É nunca ter sabido amar

É estar só e não saber ser gente


Tristeza

É ser tudo e não ter nada

É ver quem passa

Não tendo para onde ir também


Tristeza ... ah tristeza

É ter um sentimento que já não tenho

É saber-se nu sem ter o que vestir

É saber-se amado e não amar


És triste tu

Que só, continuas tua vida

Condenando a minha

Forma estranha de viver


Sábias palavras

Só é triste quem quer ser


Eu invento-me e renasço

Num mergulho profundo

No centro da terra

Pelo mar subo

Ao fim de mim


E quando julgares que é esse o meu fim

Estarei olhando quem passa

Rindo miséria e chorando alegria

Pois eu serei sempre assim.

1 Marquinha(s):

Anónimo disse...

Bonito poema, dum amor sem fim.
Podemos nós amar com a mesma intensidade mais que uma vez ? Todo o desejo é diferente, tal como a praia onde respira o nosso corpo se veste sempre com matizes de distintos tons. Renasça e incrie ou fecunde dos vales da tristeza as gotas de vida.
Coragem e fé em que haverá sempre um ser semelhante que merece a nobreza do nosso amor.
JM