quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Votos de Um Feliz Natal Para Todos



Que seja um Natal repleto de muita Alegria, Paz e Amor no Coração!

sábado, 18 de setembro de 2010

Vozes que me Apaixonam...

Leonard Cohen:



Nick Cave:



e Stuart Staples, dos Tindersticks:



... vozes que me apaixonam e calam fundo no meu coração!

PRETTY WORDS - Tindersticks

Há muito que aqui não vinha deixar um "pensamento" meu...

À falta disso, e porque as palavras me têm faltado, ou não as palavras, mas sim a vontade de transcrever para palavras, o que me escorre da alma e do pensamento... deixo-vos hoje, e para cortar um pouco este jejum, "palavras bonitas" em forma de música.

Espero que gostem dos Tindersticks e da voz do Stuart Staples tanto como eu gosto!

Desejo-vos um Bom Dia, uma Boa Tarde ou uma Boa Noite, conforme a hora do dia, que por aqui passarem.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um Dia, Quando eu Morrer...


Um dia quando eu morrer, gostaria que me cremassem!
Depois, que plantassem uma árvore,
e a adubassem com as minhas cinzas.
A árvore, poderá ser um jacaranda,
que se cobre todos os anos de lindas flores lilases,
que ao caírem, formam um manto colorido.

Assim, desta forma, continuarei a viver!

sexta-feira, 19 de março de 2010

PAI...



Tanta coisa que eu gostaria de te dizer, de escrever...
mas hoje estou naqueles dias, em que as palavras não querem sair,
estão emperradas neste dedos, que teimam em não me obedecer.
Digo-te então o essencial e aquilo que todos os dias digo, repetidamente,
na esperança de chegar ao teu coração,
transpondo essa barreira que se criou no teu cérebro...

PAI AMO-TE MUITO!

domingo, 14 de março de 2010

Quando a armadura cai...


Por vezes, o cansaço que sinto é tão grande, que baixo por momentos as defesas, e deixo a armadura que me protege, cair!
Nessa altura, há um manto de tristeza, que sem que eu consiga evitar, cai sobre o meu coração.
Tenho que me permitir ser fraca de vez em quando...
É tão difícil, ser sempre forte!
É uma luta desigual entre mim e o sentimento de solidão.
Isso esgota-me!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher - 8 de Março



Há quem diga, que este dia não deveria ser comemorado, porque dia da mulher é todos os dias!

Claro que sim, é todos os dias, ou deveria ser, mas também o Natal é, ou deveria ser e, nem por isso, deixa de ter uma data especial e ser comemorado!

Sim, devemos comemorar o dia da mulher, não por sermos mulher, mas por termos, com todo o nosso esforço e toda a nossa atitude, conseguido conquistar o lugar, que nos pertence por direito, desde o princípio dos séculos.

É isso que se comemora neste dia, a luta tremenda que se foi travando séculos e séculos a fio e que em muitos lugares, infelizmente, ainda não conseguiu sair vencedora.

É também por essas mulheres que se comemora. Há muitas consciências ainda que têm de ser despertadas e este dia 08 de Março, serve para comemorar, mas também e principalmente, alertar!

Alertar para os direitos que todas as mulheres têm e que lhes são devidos.

Deixo aqui, para quem ainda não conhece, uma pequena história, e a razão de se comemorar este dia:


No Dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num acto totalmente desumano.
Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de Março, passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem a essas mulheres, que morreram na fábrica em 1857.
No entanto, só em 1975, através de um decreto-lei, a data foi oficializada pela ONU.”

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar.
Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objectivo é discutir o papel da mulher na sociedade actual.
O esforço é, tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher.
Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com a violência masculina, a descriminação, os salários baixos, o tempo excessivo de trabalho e as desvantagens na carreira profissional.

Muito foi conquistado, mas muitohá ainda, para ser conquistado.
Daí, a importância de se comemorar este dia.
Esta é a forma de nos tornarmos mais visíveis, e de homenagearmos todas quanto, lutaram e morreram para que o estatuto da mulher, fosse um estatuto digno!

Dedico este texto, a todas as mulheres, mas em especial, à minha mãe, que sempre soube ser, em todas as circunstâncias, uma grande Mulher.
Obrigada mãe, por me teres dado o exemplo!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sem Inspiração


Hoje, estou sem inspiração
Palavras que vêm e não registo,
Palavras que saem sem aviso.
Queria dizer tanta coisa, falar de tudo e de nada
De amor, sexo, paixão, alegria…
Queria fazer também uma canção,
Para ser cantada
Por uma boca sedenta de ilusão.
Ilusão que vai, ilusão que vem
Neste vaivém de sedução…
Mas o meu corpo clama por descanso
A minha mente implora rendição,
Rendo-me hoje então a este cansaço,
Porque o amanhã, chegará, pleno de emoção!

Resgate



Não tenhamos ilusões...
a Natureza, cedo ou tarde, mal ou bem,
resgata sempre o que lhe pertence!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

The Walkabouts... The Light Will Stay On

Descobri-os hoje (só hoje, incrível não é?) e amei-os!




I go to sleep, before
the devil wakes
and I wake up, before
the angels take

all my worldly desires
all my yardsticks of fear

all my secrets untold
all my motives unclear

hangin' down in the fire
burnin' them higher
won't take them away from here

and long after we're gone
the light will stay on

watched the city ... city of crows
watched them fly, watched
'em all flyin' low

out above the flood plain
just above the dirt road
they were hungry as winter,
hungry as us
not afraid to be flyin', not
afraid to be lost

and long after we're gone
the light will stay on

and if you bury me, add
three feet to it
one for your sorrow, two
for your sweat
three for the strange
things we never forget

and long after we're gone
the light will stay on

and long after we're safe
the lights will not fade

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

FELICIDADE



Essa menina chamada felicidade, aparece só, a quem acredita nela e a quer ver.
Pode ser uma constante na vida de alguém, mas nem sempre é, o reflexo de uma vida fácil!
Muitas pessoas têm imensos problemas na sua vida, e só, quem passa por eles, sabe dar o real valor! No entanto, são tão teimosas, que não permitem que esses problemas, alguns até, demasiados castradores, lhes tirem, o que elas têm de mais precioso - o gosto e a alegria de viver.
Na minha opinião, para sermos felizes, temos mesmo de ser, muito, muito teimosos!
Apesar de todas as vicissitudes, podemos ser capazes de nos sentir felizes, se aprendermos a ir buscar força anímica e alegria, a pequenos, grandes nadas!
Vejamos o meu caso em particular:
- Tenho sempre um sorriso estampado no rosto,
- Parece que vendo felicidade,
- Sou, dizem, doce, talvez porque sou tolerante, paciente e não gosto de magoar, pelo menos, não mais que o necessário.

No entanto, e apesar de toda essa aparência, tirando o meu sorriso que é inato, sou assim, porque me esforço para o ser. Luto todos os dias, com todas as minhas forças, para não me deixar derrubar pelas pancadas que a vida me dá e, não têm sido poucas!

Se fizer uma retrospectiva da minha vida poderei dizer, que ela só foi fácil e, realmente feliz, até ao momento em que (depois de dias, metida no meio de uma guerra que não entendia. Onde eu, os meus pais e os meus amigos, nos vimos de repente, obrigados a rastejar na nossa própria casa, para não sermos atingidos, pelo fogo das balas e granadas, que lá fora destruíam tudo), deixei os meus pais e a terra que me tinha adoptado para trás.
Quando a minha mãe me deixou em Luanda, entregue a terceiros, para me trazerem para a Metrópole e regressou a Carmona para junto do meu pai e eu deixei África, a minha vida nunca mais voltou a ser o que era!
Vivi 5 meses (uma eternidade), sem saber dos meus pais, se eram vivos, ou se eram mortos.
O sentimento de solidão, medo e abandono foi enorme! Eu era uma menina de 13 anos, a entrar na adolescência, mas soube logo, naquele momento, que não teria tempo, para viver crises de identidade. A minha vida, a partir dali, não teria tréguas nem facilitismos. A partir dali, eu teria que buscar, por mim própria e onde quer que fosse, a minha cota de felicidade e bem-estar.
Sofri na pele, o estigma do retornado. Mesmo no seio da minha própria família, houve elementos, que fizeram sentir que não era bem-vinda, que era um peso!
Tudo isso, em vez de me derrubar, ajudou-me a crescer como ser humano. Tudo isso ajudou, a tornar-me, a pessoa forte que sou hoje!
As dificuldades porque passei nesse tempo e as que a vida me tem continuado a fazer passar, em vez de me deitarem abaixo, têm-me feito forte, aguerrida e até em certas situações, destemida. Não permiti, que fizessem de mim, uma pessoa dura, amarga, ou revoltada. As privações e o sofrimento, ao contrário, ajudaram-me a ver as coisas sempre, por uma perspectiva optimista e pensar com os meus botões:
- Amanhã vai ser melhor!
Não me permito, estar dependente de coisas exteriores a mim, e à minha vontade para ser feliz. Porque sei, que tudo é efémero! Quando julgamos, que estamos bem e que nada mais pode piorar, vem a vida e diz-nos, nem sempre com gentileza:
- Menina, não é assim não, ainda vais ter muito que penar!
Então, se é assim, há que tirar partido de todas as gotas de felicidade que vão caindo, para que possamos ir saciando a nossa sede e não permitir, que fiquemos secos e desidratados.
Às vezes, esta forma optimista de ser, provoca incómodo, mas o que é que eu vou fazer, eu sou assim, terei que pedir desculpa por isso?
Apenas sou, uma mulher, que quando as coisas não lhe correm de feição, não se lamenta, não coloca a culpa em ninguém, não se revolta contra a vida e as pessoas e, principalmente, não baixa nunca os braços! Vai à luta, e se nessa luta, como é normal, tiver que sair com algumas escoriações, não importa, desde que no final, atinja o que se propôs...
SER FELIZ!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mágoa!


A dor quando é infligida, é como uma ferida que se abre e só o tempo ajuda a sarar!

O importante, é que nada abale a amizade e lealdade que nutro pelas pessoas que gosto, mesmo que me falhem, isso em mim nunca mudará!

Ninguém é perfeito e há escolhas que são feitas.

Criam-se novas cumplicidades, desprezam-se velhas amizades por novas, que nos parecem dar mais. Boas ou más escolhas, o futuro ditará.
No que me diz respeito, eu estarei sempre cá e não vou deixar de ser quem sou!

Só fico magoada é com as insinuações que fazem a meu respeito e que me achincalhem por trás. Eu, com todos os meus defeitos que não são poucos, nunca faria isso a quem tenho como amiga/o. Se há algo que não sei, pergunto, não invento, nem faço juízos de valor.
Não me junto a "lobbies", só porque alguém se julga superior e o resto é ralé.
Penso com a minha cabeça e não me deixo influenciar.
Não gozo com as pessoas, só porque elas não pensam, ou são como eu. Somos todos diferentes e temos que nos respeitar. Se não gostamos, não comemos e ponto final, os gostos não são iguais, não vale é a pena desfazer, do que nem sequer provámos e tantas vezes, se nos revelam depois, uma delícia.

Gosto muito de todos os meus amigos/as e procuro mostrar isso, todos os dias, por palavras, ou por acções. Sou também muito brincalhona e por vezes maliciosa (sem maldade), mas isso não me faz andar a ter casos amorosos com quem brinco. Quem assim julga, não me conhece realmente!

Não me perguntem nada, porque eu não direi mais nada.
Quem me magoou, tem que ter a consciência que o fez, porque tudo se sabe, mais cedo, ou mais tarde, não haja ilusões.
Se não tem essa consciência, então é como o meu "amigo" Manuel diz... autista!

Uma boa tarde, ou boa noite, ou um bom dia, a quem passar.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Como Um Farol


Oiço a tua voz, que lá longe à distância chama por mim. Grito de dor, abafado e sofrido, qual fogo sem cor, ardendo em ténue chama.

Aguço os sentidos em busca do teu lamento, quero encontrar-te.
Sim, sei o que queres, compreendo a dor que dilacera o teu corpo. A tua alma está presa nesse corpo, onde não há sonhos, apenas angústias e desilusões.

Encontro-te e abraço-te, tentando proteger-te no calor dos meus braços.
Sentes o aconchego que te ofereço, e é como se acordasses numa alcofa de algodão. Sentes a carícia, na luz do meu olhar, luz diversa, que se estende mansa até ti. Com ela transformas-te, renascendo em ti um ser, repleto de energia.

Olhas-me e sorris! Compreendeste que aquele abraço que te dei, fez com que deixasses para trás, todos os tormentos, todas as dores e todas as lágrimas que até ali agrediram a tua alma.

Nasceu para ti um mundo novo, cheio de beleza e esperança. Afinal a amizade e a solidariedade existem.

Maravilhaste-te com os pormenores deste mundo, que transpira harmonia e onde os sentidos falam, sem que palavras sejam precisas, as ideias fluem simples e claras na nossa mente.

Este conhecimento, este sentir, essa luz, vem de todos os lados, impregna-nos e mantém-se dentro de cada um de nós, como um farol, que através da tormenta nos guia em navegação segura, até ao próximo porto de abrigo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Solidão, este manto pesado...



Solidão, este manto pesado,
que por vezes cai, e cobre a minha alma.
Tento escapar-me, mas ele é tão denso,
que não consigo libertar-me
Só, sinto-me, tão só!
Ao meu redor há tanta gente!
Tento tocar-lhes,
mas o manto, tolhe-me os movimentos
Procuro então, que me olhem
e leiam nos meus olhos, esta minha aflição!
Nada!
Passam por mim, olham, sorriem, conversam,
mas não percebem o quanto preciso deles.
Só, no meio de uma multidão, que passa indiferente,
talvez também eles a debaterem-se com o seu manto de solidão.
E aqui fico, solitária,
refém deste manto pesado,
tentando sozinha, ganhar forças,
para o afastar de mim.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Desejo Imenso de Amar













Acordo sentindo os teus lábios no meu corpo
Percorrem com sofreguidão, cada detalhe da minha pele
O toque suave da tua língua vai deixando um rasto de fogo…
E as nossas bocas húmidas encontram-se, no desejo e no querer

Os dedos, sôfregos, vão traçando trilhos nos corpos nus
Penetram na pele, como gotas de água, derramadas em terreno árido
A tua boca passa suavemente sobre a minha pele…
Iniciando uma escalada insana pelo meu corpo

Fazes dele a montanha que queres dominar,
Onde o teu querer é o fogo que me faz entrar em ebulição
Num transe louco, busco o centro do teu corpo

Onde me encaixo, completando assim, o vazio do meu
No auge do “cio” e na luxúria do momento, acolho-te
Quebram-se as regras, importa saciar, o desejo imenso de amar.

Turbilhão












Passo devagar, com a ponta da minha língua húmida, pela tua boca, como pincel sobre uma tela e, as minhas mãos perdem-se no prazer de te acariciar.
Ao longe, o som de uma música romântica que nos vai embalando, trazendo aos nossos sentidos, a volúpia da paixão.
As pernas entrelaçam-se e nós, quais bailarinos de salão começamos a dançar, o tango da paixão.
Lá fora, a chuva e o vento agitam com furor os ramos das árvores, como nós, despidos e confinados a este nosso ninho de amor, agitamo-nos e entregamo-nos com frenesim, à volúpia que nos devora!
Os olhos encontram-se por instantes e vêem-se neles, a cumplicidade e o desejo de uma entrega total.
Galgamos os nossos corpos, na sofreguidão da descoberta, como se não nos conhecêssemos e percorrêssemos ainda terreno virgem.
Nesta viagem de sentires, esquecemo-nos do tempo, que ficou lá fora. Nada existe para além de nós e das quatro paredes que nos rodeiam. Mergulhados na sensualidade dos movimentos e nos gemidos, que se ouvem, cada vez com mais ardor.
Ali onde nos encontramos, não há limites, nada que segure a força dominadora, que nos trespassa e nos devora, chama quente de um desejo, que nos leva em turbilhão.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Delírio dos Sentidos











A minha boca sedenta e entreaberta espera, o gosto da tua.
Não liberto ainda o desejo, que seguro, fazendo-me difícil.
Sinto os teus braços a rodearem-me o corpo,
Que se transforma ao teu toque, em vagas de um mar revolto.
Envolves-te em mim, descobrindo em cada pedacinho da minha pele, a essência do prazer.
Navegas nas ondas do gozo e levas-me contigo.
Sulcamos mares de delírio, saboreamos o sal do nosso corpo,
Espelho, da veemência deste amor
E que atinge o seu ponto alto, na união dos nossos corpos.
É nesta atmosfera aquecida, pelos corpos inflamados,
Num delírio de sentidos, que as nossas almas se fundem em puro êxtase…
Dá-se a explosão, a emoção…
Perceptível nos gemidos e na respiração ofegante,
Que soltamos, no intenso prazer do momento.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sombras












Sombras que me perseguem
Resquícios de um tempo que já vivi
Bruma densa...
Envolvendo-me com negro manto
Que mesmo sem me tocar,
Corrói, como se fosse ácido!
A sua presença constante
Qual espectro lancinante
Fere mais que mil punhais
E ensombram o meu viver.
E com este constante sofrer
Estas sombras, far-me-ão perecer!

(In Luso Poemas - Luz&Sombra - 19/08/2008)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ilusão











Deixo o corpo cansado cair no sofá.
Os braços inanimados, pendem para o chão, sem vontade própria para se voltarem a erguer.
Oscilam... para trás e para a frente, sem saber que direcção tomar, se ficam, se vão, ou se devem parar.
Hoje não tenho sonhos perdi-os e já não te quero inventar.
Já não te faço prisioneiro da minha imaginação.
Esta noite fica somente o silêncio e uma lágrima esquecida, caída sobre no meu rosto pálido.
É o que resta da desilusão, da saudade enorme que escorreu pela minha face, invadindo-me a memória e que batalha agora por te esquecer.
Aqui, sentada neste sofá, apercebo-me da minha solidão. Compreendo finalmente que não passas de uma ilusão projectada nas paredes da minha imaginação.
Julguei que existisses, engano, pura ilusão.
És apenas um produto que criei, utopia, sonho nascido em mim, no fito de preencher uma vida oca de sentimentos e sensações.
Inventei!
Agora, deixo-me ficar aqui sentada, estirada no meu velho sofá, tentando proteger-me da tristeza, que a realidade me impõe.
Lá fora os jardins autrora coloridos, hoje, não têm cor.
Os pássaros, não se ouvem cantar. Ouve-se apenas um único som, o lamento do meu coração que chora de profundo desalento, que chora, o desmoronar de uma ilusão.
Quero dormir, esquecer, mas não quero voltar a sonhar.
Quero apenas fechar os olhos deixando lá fora o espírito, e os sonhos de uma alma, acorrentada a uma ilusão.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Portal da Eternidade.










Sinto, mesmo a esta distância que nos separa, o calor intenso do teu corpo.

Observo-te com lascívia enquanto te despes revelando ali, a nudez da tua alma até aí escondida nesse corpo vibrante.

A tua pele arrepia-se ao meu toque e os teus olhos cerram-se num desejo que os faz revirar nas órbitas.

Percorro o teu corpo por completo - as mãos, os lábios...
As tuas mãos seguem as minhas nesta rota dos sentidos.
O corpo agradece e mata a sede de uma saudade imensa.

Sinto o aroma do teu cabelo, o sabor da tua pele, o calor que vem de ti... e de olhos fechados, entrego-me nesta viagem transcendental ao nosso universo.

Esgotados, os corpos descansam agora, mantendo as mãos unidas, vínculo inviolado através dos séculos e as almas, essas, continuarão ligadas nesta aliança através dos céus, ultrapassando mesmo, o portal da eternidade.

Esta noite...













Nos versos do teu poema, encontro-me e encontro-te.

A minha alma, sente-se abraçada pelas rimas e a voz que escuto dentro de mim, vai declamando os versos, como se os tivesses escrito, só para mim.

No teu poema, descubro em cada estrofe, o palpitar do coração que bate forte no teu peito.

Imagino o teu corpo despido, onde a brisa do meu vento o afaga, como se dedos aparecessem do nada para acariciar a tua pele.

Descubro cada recanto teu, como se já algum dia te tivesse tocado... possuído!

Naquele poema foste meu!

Consegui rasgar a barreira entre as dimensões, estender os braços e abraçar-te.
E nesse instante, as nuvens abriram-se deixando escapar um raio, que atingiu o teu peito deixando impresso nele, a minha marca.

É o meu corpo, que te envolve a alma, te cobre, descobre e te ama até nascer de novo, o Sol.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Escorre-me o tempo por entre os dedos...













Como grãos de areia que se dissolvem no mar.

A vida passa por mim, deslizando... rápida como um rio, que vai morrer nos braços do mar.

Deixo-me ficar sentada, aqui, neste cantinho da estrada, nesta margem, entre a imaginação e o real.

Parada, só, nesse ponto do tempo.

Não sei onde ando nem sequer, se estou nalgum lugar.

Não sei como vim aqui parar, nem de onde parti, para aqui chegar.

Silêncio... neste torpor em que me encontro, tudo se cala.

Cala-se o som da vida, calam-se os murmúrios...

E neste calar, a ausência faz-se presente, aqui, neste canto vazio onde paro e me deixo ficar!

Cansaço













Estou cansada, cansada de tentar desvendar meias palavras, meios gestos, meios sentidos.
Estou cansada de navegar à deriva entre lágrimas que preenchem o meu pensamento.
Estou cansada de não saber onde estão os pontos cardeais da tua alma, que se encontra tao perdida para ti, como para os outros.
Estou cansada de não achar as respostas e desta angústia que não sei explicar.
Estou cansada desta névoa nos olhos e das palavras que são ditas sem precisarmos falar.
Estou cansada dos silêncios, das mentiras, dos sorrisos sem significado, das desculpas e dos pretextos que nem sequer sabem inventar.
Estou cansada deste coração, onde todo o mundo cabe, mas que a ninguém soube amar.
Estou enfim, cansada de mim, que sendo generosa, mesmo assim, nunca me soube entregar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Prenúncio do fim













Ponho a máscara, para que me esconda o rosto.
Deixo que as palavras morram no meu peito.
Os jardins à minha volta não florescem por falta dos raios de sol e de chuva, que os alimente.
Nada faz sentido, nada tem cabimento quando as palavras se repetem em frases vãs, em textos que se perdem em loucuras da mente, que à falta de não ter o que quer, limita-se a jogar com os sentidos, com a alma, como se, se tratasse de uma bola nas mãos de uma criança.

Encolho-me... enrolo-me sobre mim própria, tal qual um envelope que se fecha por dentro, bloqueio a alma, a luz é apagada e as palavras deixam de ter brilho.
São palavras defuntas, metáforas desmaiadas num prenúncio do fim.
Já não estamos aqui para nos abraçar.
Por mais braços que imagine, não encontro nas palavras, nada que me permita tocar-te, simplesmente, porque já não te encontras aí!

Ardente, o Sol desponta no horizonte, queima-me a pele, seca-me cada letra, curte cada palavra e num único e derradeiro suspiro, anuncia que a noite chegou ao fim... e um novo dia começou!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Invento-te...












Rabisco palavras, para quebrar a minha solidão e acompanhar-te, na solidão das tuas noites.
Rasuro, na busca da perfeição, nesta onda gigante que a alma agita como um poeta que não rima.
Faço isso, porque quero ser a chama que arde trémula na tua fogueira, porque quero ser a companhia, que mesmo à distância te acalma.

Adivinho-te, unicamente pelo instinto, pelo sabor que provo no vento, esse gosto teu que me toca, momento raro em que me entregas a verdadeira essência de ti.

Desenho-te na minha imaginação, sei-te de cór, como se algum dia já tivesses sido meu. Como se as minhas mãos te tivessem já tocado, os meus braços abraçado e os meus lábios... beijado.

Invento-te enquanto é dia, para que à noite, sejas real nos meus sonhos.

Vou-te escrevendo, mesmo sabendo que podes não me ler, mesmo sabendo que não me sentes, ainda assim, continuo a escrever com todas as metáforas que conheço, esculpindo cada palavra e injectando em cada uma delas, o sentir, que reluz como uma pérola.

E tu, distraído, olhando o mundo passar lá fora, viraste-te para mim e perguntas:
- Sou eu?
Ao que eu respondo:
- Claro que és tu, tu mesmo, que neste momento, descobres nas minhas palavras, os sentimentos e nas minhas metáforas, a verdade que procuravas.

- Utopia, perguntas?
O que não é utópico? Respondo eu!
Mesmo o que te parece real poderá sê-lo, se deixarmos de acreditar que é real.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Momento Único












Estende-se o corpo que arde em desejos, acordando os segredos, que se encontravam escondidos durante todo este tempo.
Sinto-te!
Abro a boca que devora a tua, estendo as mãos e acaricio a tua pele, abro os braços envolvendo os teus contornos numa onda de prazer que nos sacia os sentidos.
Espalham-se aromas no ar, entre eles... o odor do teu corpo, um convite aromatizado para me entregar a ti.
Deixo-me levar!
Reconheço o calor do teu corpo que me abraça, e húmido fica o âmago que me envolve.
Da tua garganta solta-se um gemido.
Soltam-se gotas que escorrem pelos nossos corpos, na tentativa vã de arrefecer a luxúria que nos consome.
As minhas mãos perdem-se pelo teu corpo em carícias travessas, provocando-te espasmos de intenso prazer e soltando em mim um suave arrepiu de puro deleite.
O teu corpo clama pelo meu, entrego-me!
Perdemo-nos no tempo. Entramos num ritmo louco, numa dança cheia de frenesim que nos faz gritar de prazer.
Depois... o silêncio ofegante, uma indolência estonteante que nos deixa prostrados sobre os lençóis enrugados... saciados os corpos, exaltadas as almas, que em uníssono se amaram até à exaustão.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Agora, estou sozinha...












Esgotaram-se as palavras, silenciaram-se as aves sobre as árvores despidas de folhas.
Cai a noite a seguir ao dia e a alma exausta deixa-se ficar... imóvel, vazia.
Hoje não tenho nada para dizer, já não me surgem nas pontas dos dedos as letras que te formavam, não se descobre na tela vazia, um único traço de mim, de ti, dos nossos corpos.
O vento sopra, varrendo do chão a poeira que resta. Sobras dum fogo extinto, dramas de uma vida abandonada entre nadas.
A voz cala-se, os pensamentos hibernam na letargia de um frio inverno, o coração seca na aridez deste deserto, não te escuto, nem o palpitar do teu coração se faz sentir!
As lágrimas não percorrem mais a planície da minha face, o sal acumula-se no fundo deste lago seco que são os meus olhos.
Não há sonhos, nem presenças constantes, apenas a ausência se perde neste imenso e desolado mundo.
De nós, guardo só aquela fotografia tirada ao pôr-do-sol como última recordação do passado; Âncora, que se prende ainda, no chão vazio deste rio outrora fulgurante.
Agora, estou sozinha...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um Mundo de Faz de Conta...













Há um mundo de fantasia, onde os castelos nascem nas nuvens e os jardins, perdem-se por entre o céu azul ou na penumbra de um pôr-de-sol qualquer.
As cores, essas, são vivas e simultâneamente suaves. Uma contradição perfeita, entre o sonho e a realidade.
Aqui, os pássaros não voam, caminham, e nós, temos asas.
Voamos de nuvem em nuvem, de castelo em castelo, por entre as árvores gigantes da floresta, ou até, na profundidade de lagos de águas mornas e transparentes.
As flores nascem por todo o lado e sente-se o seu perfume invadir o ar, numa primavera eterna de essências.
Num espaço escondido, reservei um cantinho onde me sento, e deixo o olhar perder-se nas vastas planícies que envolvem este mundo, perdido nos confins da memória que criei na minha infância.
Aqui, o corpo não sente as dores da realidade.
Aqui, a alma não sofre as amarguras da vida.
Por isso, volto sempre que a reminiscência da infância se apodera da minha consciência, sempre que a vida me dá um instante de liberdade, sempre que o sonho domina o sono e o cansaço, sempre... que consigo cá chegar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amantes










Exaltam-se os perfumes do incenso que arde na atmosfera fechada do quarto. Acordam-se os sentidos, arrepia-se a pele ao ritmo de uma música suave.
Os meus dedos desenham o teu corpo nu.
A língua percorre todos os recantos, absorvendo o sal da vida.
A respiração compassada, acaricia-te numa onda quente que trás à memória o mar dos sentimentos.
Neste momento em que me dou, ofereço-te o meu corpo despido acordado dentro de um sonho. Recebo os fluidos do teu corpo como uma bênção divina do prazer que tenho em te amar.
A boca, devora-te com a suavidade dos lábios que te percorrem o pescoço.
Os dedos, desenham sobre a pele círculos de prazer.
Escuto a tua respiração ofegante sobre o meu ouvido, os corpos, em espasmos frenéticos crescem, soltando-se das amarras da gravidade.
Evapora-se o perfume da pele, deixando apenas no ar... um perfume de luxúria e amor.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Palavras...













Descubro por detrás de cada letra, escondido em cada palavra, o segredo que se guarda pela eternidade fora.
Saboreio em cada caracter, o doce amargo do fel, o veludo macio da pele que me toca em frases soltas no orvalho da manhã.
Sente-se pelo ar, em cada gota de maresia o encanto das essências!
Não sentir, é abster-se de beber, é alimentar-se da brisa que não nos toca, é ser nada dentro deste todo.
Tocar, é música que sabe dançar, é o tango de uma vida que se multiplica em todas as valsas que se cruzam na pista.
Aprendo-me em cada nova folha que escrevo, como se descobrisse em mim, uma melodia esquecida entre milhões de partituras, uma orquestra que vibra no meio da multidão alvoraçada.
Possuir, não é apenas deter, aprisionar, tomar... é tão simplesmente escutar, compreender, saborear cada letra como se fosse a última, cada frase como se o vento mesclasse as letras numa rebeldia simultâneamente doce e impetuosa.
Hoje, nascem-me as palavras, da ponta dos dedos, tomando elas próprias o caminho, sem que consiga dar-lhes formas, sem que perceba eu própria o seu significado, esperado que quem lê , o encontre...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Caminhada...












Nesta minha caminhada pela vida aprendo em cada passo, a certeza duma busca perdida. Procuro encontrar o caminho de volta à casa das palavras, onde deixei escritos e fórmulas, em épocas passadas.
Quero sentar-me sobre a velha cadeira, pousar a minha mão sobre a pena, e deixar nas páginas vazias o cheiro da tinta com o sabor das palavras que carrego dentro de mim.
Quero perder-me a contemplar o luar sentindo o vento soprar.
Ao meu castelo quero voltar! Por lá deixei os sentidos, que agora que ando perdida preciso encontrar.
Nas noites etéreas solto ao vento o meu pranto, e deixo a alma vaguear por todo este mar de desencanto.
As telas em branco, quais campos estéreis, esperam pela minha mão para desenhar sobre elas, os traços de ti, que encontrei espalhados por aí.
Em vidas outrora vividas, fui colhendo histórias, sentimentos e palavras que carrego comigo sempre que regresso ao lugar onde um dia comecei a caminhar, nesta busca perdida para te encontrar.
Caminhos distantes, lugares recônditos gravaram-me na alma o sabor dos instantes, o gosto de outros seres e, os pedaços perdidos que de ti fui encontrando, ao longo desta viagem imensa que mais uma vez chega ao fim.
Não existe final sem um novo início, e amanhã, quando o Sol me despertar, recomeçarei de novo a caminhar.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Reflexão


Hoje dei comigo a reflectir sobre o ano que terminou e sobre as perdas e ganhos que tive.
Olhando o caminho que percorri, verifico que perdi muita coisa e que ganhei outras tantas!

Perdi um pouco de mim e da pessoa que normalmente sou.
Perdi tempo e energia com pessoas e situações que não me ajudaram nada a crescer.
Perdi algumas alegrias e também alguns sorrisos.
Perdi ou deixei de receber …
E perdi ou deixei de dar a quem merecia mais de mim!

Ganhei força e muitas vezes consegui superar-me.
Ganhei amigos que podem ser para a vida.
Ganhei mais algumas rugas, que reflectem tristezas e alegrias.
Ganhei experiência que me ajudou a compreender.
Ganhei ou mantive o carinho de quantos gostam de mim.
Ganhei mais confiança!...

Por tudo isto considero, que este foi um ano equilibrado em termo de perdas e ganhos!
O Ano que agora começou é uma incógnita, mas uma coisa garanto, no que estiver ao meu alcance, tudo farei para que seja melhor.

A todos os que por aqui passarem, quero desejar um Feliz 2010!