
Doença De Alzheimer
Como eu gostaria poder ter o teu carinho de novo, voltares para mim.
Abraço-te, beijo-te, tu não reages, manténs-te hirto olhando-me com esse olhar vago que vieste a adquirir. Tão vago, como vaga e estranha, eu começo a ser para ti.
Olho-te fundo nos olhos…
Lembraste paizinho? Sou eu, a tua filha, a única, a que amavas (ainda amas, mas não sabes) incondicionalmente.
Preciso de ti meu querido, preciso do teu sorriso, da tua boa disposição, como gostavas de rir e fazer rir…
Hoje, nos momentos de maior lucidez, vejo-te chorar, essas lágrimas, que me partem o coração. Não receies pai, eu estou aqui, ao teu lado, sempre!
Quando eu era pequenina e até mesmo depois de crescer, casar, ser mãe, tu sempre me protegeste, sempre me apoiaste, é essa protecção e esse apoio, que eu te vou dar a ti, também. Cuidarei sempre de ti.
Amo-te muito, querido pai!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Querido Pai
Postado por @--}--- de £ótus às 21:49 9 Marquinha(s)
Marcadores: Pai
A Lua Como Testemunha

Convidei-te para casar, assim, como quem convida para dançar. Olhaste para mim, com esses grandes olhos azuis, sem quereres acreditar.
A nossa relação sempre primou, pela indefinição. Passos à frente, passos atrás, quero, não quero, deixo-me ir, não me deixo ir…
Nunca te quis amar (apesar de te amar), fugi de ti e de todas as outras, que me quiseram “agarrar”.
Eu, e a minha independência. Essa sim, a minha amante de sempre.
Lutei! Ah, como eu lutei! Lutei para te resistir, resistir a esse olhar doce, terno e inteligente, a essa menina mulher, que cada vez mais me encantava e seduzia, a esse corpo!... Meu Deus, esse teu corpo, que só de o imaginar, me sinto incendiar… mas tu, conhecedora profunda dos teus poderes e dos teus desejos, não facilitavas, estavas sempre lá!
Essa noite decidi-me, eu amava-te e não havia como fugir a essa verdade cada vez mais flagrante.
Sorriste, com esse teu sorriso de eterna criança, que me derrete o coração, aproximaste-te de mim, deste-me um beijo na face e segredaste-me ao ouvido – “sim amor”.
O teu perfume e o toque dos teus lábios, deixou-me na pele um ardor, um feitiço, outro.
Tudo à nossa volta parou, deixamos de ouvir os ruídos que nos rodeava, dentro de nós, ouvia-se uma música, a música dos amantes e foi ao ritmo dessa música, só tocada para nós, que nos abraçamos, beijámos e nos devorámos.
Os nossos corpos fundiram-se num só, com urgente frenesim, em espasmos de intenso prazer, entregamo-nos, como nunca antes, o tínhamos feito. A noite encheu-se de estrelas e a lua, espreitando atrevida pela nossa janela, foi testemunha, deste nosso pacto de Amor!
(Nota do autor:
- Vi-me aqui como personagem masculino, soltei a imaginação e deixei-me levar.)
Postado por @--}--- de £ótus às 21:45 0 Marquinha(s)
O vento leva-me o lamento

Saudade de ti
De mim
De nós
Esta saudade
Que no meu peito arde
Aguardando que um dia venhas
e com os teus lábios húmidos
Sacies esta sede
Que de ti tenho
O vento leva-me o lamento
Ouves?
É por ti que choro
É por ti que anseio
É por ti que espero
E desespero
Estas lágrimas que deito
Perdem-se no mar profundo
Rasga-se o peito
Em mil tormentos
E na minha boca
Sinto o sabor a fel
Do meu amargo desgosto
Postado por @--}--- de £ótus às 21:15 0 Marquinha(s)