terça-feira, 8 de abril de 2008

Lezíria em Flor





Minha alma é soneto ébrio d’amor,



É farta de rubor,roseira em alvoroço,


Agora que o meu corpo é brando e moço,


Agora que toda eu sou leziria em flor...





Os meus olhos são esmeraldas afogadas,


Debaixo de finas rendas de Ametista...


De onde minha alma de mulher avista


Turris Ebúrnea das paixões imaculadas...





Há rendas de prazer no nosso leito,


Como se de brocados o nosso amor fosse feito.


Ama-me estonteadamente...põe-me louca!!





Flamejam ao longe velas e mastros:


Beijos teus, subindo ao alto como astros,


Ao rubro poente da minha boca!!...

2 Marquinha(s):

Olga disse...

FLORBELA ESPANCA, não é?

@--}--- de £ótus disse...

Influências, certamente, :-) mas repara na métrica...

Beijos.


"Charneca em flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

Florbela Espanca"