
Acordo cansada de mim, deste sentir fecundo, mas estéril de afectos realmente consumados… De fingir que estou AQUI, quando me ausentei e vagueio, perdida, sem descortinar por que obscuras razões subsistem, ainda, pontos cardeais… De inventar alegorias e paradigmas vários, para tentar escusar-me à crua realidade que, furiosamente, teima em engolir-me, inteira e de um só trago … De inventar AMOR, aos molhos, como quem veste alegremente os lábios de sorrisos purpúreos, estando prestes a perecer, cristalizada, no sal das lágrimas que lhe banham o rosto… Estilhaçam as delicadas vidraças da minha Alma! Lívida e fria, afogo-me no turbulento caudal do meu próprio desespero, por consentido excesso de gente, no âmago desta solidão total que mais ninguém vê… Avulta silêncio em todas as esquinas do meu Ser! O espectro da morte, negro e sombrio, arrasta-se-me pesadamente na vida… Acordo cansada de mim, deste sentir fecundo, mas estéril de afectos realmente consumados…
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Acordo Cansada...
Postado por @--}--- de £ótus às 16:12
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3 Marquinha(s):
Todos Ana acordam muitos dias cansados da vida e dos seus desencantos, descaminhos ou desencontos. Tal como o tempo está dentro de nós, e porque não nos calha a sorte, assim por muito que sejamos sensíveis à alma do mundo e à afeição dos outros, temos de escolher caminhos e fazer opções. A felicidade não existe enquanto sensação duradoura, vislumbra-se nalguns momentos, é perene ao espírito. Entenda Ana como um dia disse J.G.Ferreira que "viver sempre também cansa". Não creio em almas gémeas, mas longe das idades das paixões, acredito sim no amor da partilha, do respeito, da valorização do outro, da cedência, da amizade. Desculpe a franqueza, mas você parece-me uma excelente mulher e como eu percebo a sua mágoa e a sombra ausente de alguém que a ame por aquilo que é.
Pena não nos termos encontrado numa outra vida numa outra página desta existência fugaz.
Jorge Lucas
Há tanto tempo que não escrevo aqui, há tanto tempo, que ninguém comenta... e agora, este seu comentário, que aparece, e me toca o coração!
Obrigada Lucas, pelo carinho que senti nas suas palavras!
Este texto foi escrito, num momento, em que a felicidade se tinha ausentado e a tristeza, por momentos, veio e instalou-se no meu coração.
É como diz e muito bem - "[...]A felicidade não existe enquanto sensação duradoura, vislumbra-se nalguns momentos[...]" tal como a tristeza!
Almas gémeas... será que não as há? Ou estamos tão distraídos, que nem as vemos, quando passam por nós? :-)
Beijinhos...
Como podemos saber o que se abriga na alma de cada um ? Mesmo na presença física a inibição e o receio da incompreensão do outro condicionam. E se a beleza e o âmago das palavras revelam um espírito fascinante, como interagem duas pessoas de idades semelhantes e com lições de vida ignotas ?
Não basta ser belo ao olhar somático, pois é na concretização da presencialidade e na relação humana em distintos ambientes que se revelam as afinidades. Apenas assim se evita a negação da alma; somente nesse devir se entende um pouco mais a linguagem do coração.
Hoje acordei triste mas resignado, porque são também as palavras dos outros, mesmo no silêncio da ausência, que renegam a solidão.
Jorge Lucas
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