quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sentidos


S
ei que vieste na esperança de me encontrar

E que no teu peito arde, o fogo de quem ama

Não queres acreditar que eu já esteja longe de ti!

Tantas foram as noites decorridas em vigília, esperando.

Impaciente e consumido agora, pelo pó da derrota…

Dos teus olhos caiem lágrimas de desespero e amargura.

Ouvem-se algures, os lobos, uivando no zénite da noite

Seus lamentos são a certeza, de que tudo terminou.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Meu Mui Nobre Cavaleiro...

Meu mui nobre cavaleiro, onde ides
Montado em vosso branco corcel?

Levai-me convosco, meu bem-amado
Para poder sentir em meu rosto
Esse mesmo vento que vos acaricia.

Vinde, que em vossos braços me entrego
Retirai vosso elmo, para dos vossos lábios,
Beber com sofreguidão, a seiva do prazer.

Meu nobre cavaleiro, que feliz me fazeis
Por permitirdes em vosso leito me deitar
Serei seda azul, deslizando por vosso peito.

Senhor meu, descei desse vosso pedestal
E deitai por fim, vossa cabeça em meu regaço
Que ficarei aqui zelando por vosso descanso.

Quando, no horizonte os primeiro raios de sol despontarem
Encontrar-me-ão feliz e aninhada em vossos braços
Sois vós senhor, a minha paz, a minha luta e o meu tormento!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Hoje...

Hoje...
Queria ser o afago, a brisa mansa
A mão que te acaricia ondulante
em ousados afagos.


Hoje...
Queria ser o mar que te banha
A vaga inquieta, que discretamente
Te deixa na órbita do desejo.


Hoje...
Queria ser o quente fogo azul
Deslizando pelo teu corpo
Em carícias insolentes.

Hoje...
Queria ser seda nos teus lábios
Frutos expostos neste pomar de desejos...
Onde o vento, me traz um aroma discreto soprado por ti…

domingo, 21 de junho de 2009

Saudades de Ti e de Mim

Quando penso em ti, a saudade vem e apanha-me desprevenida.

Surpreendo-me sempre que ela surge, não sei porquê, já devia estar habituada.

A imagem do teu rosto surge de repente à minha frente e descubro, em cada imagem, um rosto que é teu, mas sempre novo - num momento diferente - numa expressão especial.

O mesmo rosto, mas reflectido no espelho da minha alma.

E aí, surge a saudade!

Saudade dos teus lábios, em que forçadamente encerras um sorriso. Desenho perfeito, de um momento suspenso, que reflecte a alma, numa imagem estática do teu mundo interior.

É Surpreendente esse rosto que vejo!
Imprimo-o, pela milionésima vez na memória do tempo.
Guardo-o como a última recordação de um momento, que não nos foi permitido viver.

Os meus pensamentos planam em suspensão sobre a tua cabeça. Sentem-te e vêem-te mesmo à distância, como não sinto, nem vejo mais ninguém.

O teu rosto transmite uma serenidade, que não existe e que esconde uma guerra que grassa no teu interior.
Sempre foste assim, um insatisfeito, um lutador.

Procuras com essa imagem de tranquilidade, abafar a azáfama em que a tua alma se encontra. Estás em constante busca, em constante pesquisa de ti mesmo e dos outros.
Isso, por estranho que pareça, faz-me sentir saudades de ti.

Hoje, mais uma vez, tive saudades, saudades de ti e de mim.

sábado, 20 de junho de 2009

Sentimento…

Sentimento... onde me levas coração?
Nem sempre é fácil entendê-lo
E nem sempre é fácil esconde-lo.
No entanto existe e está presente.
Sinto-o a bater no peito,
Com batidas fortes e pujantes.

Quando foi amor, que eu te deixei ir,
E colhi da terra, as flores de uma vida?
A cumplicidade dos secretos abraços,
Suspensos no lago azul do tempo,
Onde as flores de lótus floresciam.
Terá sido hoje, ou já foi ontem?
Que sucumbi aos teus beijos,
Que deixaram impressa na minha carne,
O fogo do teu desejo.

Quando foi amor, que se acabou o Amor?

Desejo o teu Olhar...

No teu olhar um poema
Que me faz lembrar o mar
Onde nas suas ondas me envolvo
E sem rumo me deixo levar.

Olhar doce e apaixonado
Que me faz vibrar e sonhar
Perco-me no seu azul quente e profundo
Que me deixa sem conseguir respirar

Não resisto e entrego-me nessa espiral...
E vou-me deixando arrastar
Caindo num mundo desconhecido
Cheio de volúpia e do sentir amar

Ah meu Amor! Como eu desejo o teu olhar!

O teu sorriso...

Sorriso bonito

Matreiro escondido

Que lindo que é

Não o escondas

Mostra-o ao mundo

Para verem como é

Ele é luminoso

De felicidade vestido

E só de o ver

Faz despontar também

O meu sorriso

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sonho sonhado…





O corpo já cansado, cai extenuado. Deixa-se ficar... ainda embalado pelo silêncio da madrugada.

Sonhei!

Aquela viagem, deixou-me sem quase poder respirar… parecia tão real! Os sonhos são vidas, que vivo por momentos e que me dão energias, as quais, vou perdendo durante a sua ausência.


Nas suas asas, deixo-me levar, são eles que me fazem viver o que conscientemente, não me permito fazer.
O sonho, deixa o espírito livre para voar e ser e viver, o que eu quiser.


São voos rasantes, por vezes, tão perto da realidade, muitas mais ainda, dos meus desejos mais secretos.

Desejos, que quase nunca sei que tenho e que ali, me são revelados.


Fico extasiada com eles e, quando acordo, recuso-me a fazê-lo. Cerro os olhos, na esperança de voltar para eles e continuar a sonhar.


Liberto-me aos pouco da sua leveza, não há nada a fazer. Lentamente, regresso ao meu mundo, que afinal… não é assim tão mau!


Olho para mim e digo:

Não estás feliz? Esta noite, viveste momentos de sonho, que quem sabe, te vão ajudar a torná-los reais.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aguardo-te...




A noite cai de mansinho e eu, aguardo-te sob este firmamento, onde as estrelas cintilam para mim. Sei, que tu és uma delas, reconheço-te o brilho.

Por maior que seja o firmamento, não é grande demais, para sabermos como nos encontrar. Fazemos parte um do outro, somos pedaços que se fizeram uno, dentro de um todo.

Sinto a saudade, queimar-me as entranhas. Aqui, neste corpo, hospedeiro da minha alma, anseio pelo teu. A minha a pele, clama pela tua pele, desejando que venha apagar, esta chama que me arde no peito.

O perfume das flores entra pela janela aberta. Exalam um aroma que inebria os sentidos. Deixo-me planar nesse aroma, expectante... tentando adivinhar o momento em que virás, para me tocar o corpo e a alma.

A noite avança, e o meu corpo acaba por sucumbir à espera!

Quando chegas, já me encontro adormecida. O teu olhar cai sobre a seda dos meus lábios, e de tão intenso, faz-me despertar.
Surpreendo o teu olhar de desejo e os meus lábios abrem-se, para te receber.

Por cima de nós, a Lua nasce, iluminando os nossos corpos, que se encontram já abandonados nos braços um do outro.

O tempo, esse, deixou de existir, porque a eternidade pertence-nos! Desde o início dos tempos, que é assim.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Escrevo-te...












Sobre as teclas vou debitando palavras...
Mas há aquelas, que gostaria de te dizer e não tenho coragem!
Escuto o silêncio para além deste ecrã e leio-te...
Tentando decifrar cada um dos caracteres
Das frases que aos poucos me vais deixando.
Lá fora, a Lua brilha num céu negro,
Dando à noite, aquele toque de mistério,
Sempre com algo por desvendar...
Como eu sei, também tu, me iras descobrir!
Mesmo não me vendo, (re)conheces-me,
Porque, em cada palavra que digito,
Escorre toda a essência do meu sentir.
Tu como ninguém, sabes adivinhar.
Abro a minha caixa de Pandora e como um passe de mágica,
A esperança liberta-se e afoita, no meu coração vem poisar.
Ah, como é bom de novo poder acreditar!
Acreditar, que para além das palavras há um olhar
E que esse olhar, tem algo para me dar.
Que para além das palavras há uma abraço,
que no seu peito me vai aconchegar.
E eu vou descobrindo em cada palavra,
Em cada frase... um caminho,
Todo ele pontuado de sensações...
Onde se acentuam as emoções.
Amanhece...
Vejo já os primeiros raios de sol a despontar
E na tela branca onde me escrevo e te escreves...
Surge uma frase...
Aquela que completará esta história,
Perdida num tempo...
Onde tudo está ainda por contar!...

Flor da Noite!...











Esta noite, falava com um amigo e dizia-lhe - o quanto gosto da noite, o quanto, ela me fascina!
Apelidou-me logo de “morceguita”!
É normal, é o que vem logo à ideia, quando dizemos, que gostamos de viver durante a noite, até mesmo eu, me denomino assim.
Mas se formos ver, a noite, tem tantas outras coisas! Coisas, que nos podem espantar, pela sua singela beleza, como por exemplo:

- Flores!

As denominadas flores da noite, porque só vivem para a noite! Existem plantas , em que a floração só se dá depois do anoitecer! Mostram, toda a sua beleza durante a noite e fenecem, quando o dia desponta.

Estou a falar em particular, de flores que provêem de cactos:

Há o "Selenicereus grandiflorus" – o qual, dá uma flor conhecida como a rainha da noite, que só permanece completamente aberta durante duas horas nocturnas, findas as quais, o seu “reinado” termina!

Existe também, o "Echinopsis spachiana", que nasce quando cai a noite e murcha, quando o sol desponta. Estas são, duas espécies que eu conheço, porventura, haverá mais! É interessante verificar, como há tanta e tão variada vida durante o período nocturno. Período, em que a ausência de luz, nos leva a crer, que a vida quase parou e que só, criaturas com aspecto mais sinistro, como os morcegos, conseguirão sobreviver!

Eis que surge, para nos deslumbrar, a efémera flor da noite, na sua beleza branca e pura, oferecendo-se à lua e a todas as criaturas nocturnas!

Talvez seja esse um dos motivos, porque gosto tanto da Noite! Não só... pela paz e o silêncio, porque quase tudo dorme, pelo mistério que por si só, ela encerra… mas também, porque nela encontramos, muitas coisas raras e belas!

Perco-me, no silêncio e beleza da noite, esperando que amanheça e que o meu corpo cansado se dispa e se deite, numa cama qualquer!...

domingo, 7 de junho de 2009

Amo a Vida...









Amo as manhãs que se anunciam lentas
e se desenrolam entre os meus lençóis
suspensa a vida num estendal de roupa
esquecido o dia num raio de sol

Amo o dia que será . Mantas de arminho
na crista azul do céu - nuvens tão plácidas
recostadas no horizonte - ausentes como eu
e a intocável incerteza das marés que virão

Amo a serena inconstância do desejo
a celebração sempre adiada do meu corpo
a música que envenena as madrugadas
e os sonoros clamores do silêncio na calçada

Amo a vida porque sou filha dos prados
e nasci nos jardins inventados pela bruma
sou neblina que busca o peito amado
sou o clamor dos mares incendiados

Cantarei todas as manhãs do mundo
para te doar a foz desperta do meu corpo
venha Junho, venha o mês dos frutos
e as manhãs serão sempre o nosso porto..