quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Sol da Meia Noite










O sol da meia-noite inflama o ar como uma bola de fogo evaporando as gotas da última chuvada. As sombras ganham forma e uma leve brisa sacode a folhagem ainda húmida. Misturo-me no vento que passa, envolta na maresia da madrugada e levando comigo o perfume do amor aos quatro cantos do Universo.
Percorro cada milímetro de pele deixando suaves gotículas deste perfume mágico que desperta os sentimentos. Neste voo infinito, percorro a Terra num segundo, deixando que o mundo da fantasia roce os corpos da realidade e sacuda as almas, para um acordar doce e terno.
Nem sempre se consegue abrir a alma ao sopro do amor, nem sempre o simples toque da essência permite que sintas entrar em ti uma nova vida, mas, nos corações mais sensíveis, a noite calma e tranquila transporta nas suas letras a fragrância da paz, e do amor eterno.
Invado-te, conquisto-te, descubro-te a cada letra que deixo cair sobre o teu corpo, a cada toque que não sentes, a cada sonho que te conto. Adormecido nesta noite que te embala sobre braços inventados de frases descritas, deixas-te levar, e a noite oferece-te as asas, que, plácidamente, te farão voar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Amizade por onde andas?













(Escrevi este texto há já algum tempo e vem no seguimento do último. Como o Ano está a terminar e ele faz parte do sentir deste Ano, resolvi deixá-lo agora aqui.)

Cada vez, tenho mais dificuldade em acreditar naquele sentimento doce e puro, a que chamamos Amizade.
Esta descrença é estranha, vinda de mim, uma pessoa normalmente positiva - crente nos outros e no mundo.
Pois é!
Até mesmo pessoas como eu (ingénuas), somos por vezes, confrontados com situações, que nos mostram, que não podemos ser assim tão confiantes e que mesmo, de quem menos esperamos, é capaz de vir uma traição.
Falo, naquelas amizades, que acreditávamos verdadeiras, sinceras, fortes e com boas bases de sustentação.
Infelizmente, cada vez mais, elas se revelam frágeis e com alicerces de barro.
É perceptível aqui e ali, uma nota de falsidade, de fingimento, de estórias mal contadas, ou contadas pela metade.
As pessoas, cada vez mais competem entre si... por tudo e por nada. Até os nossos "amigos", estão em permanente competição connosco, mesmo que seja unicamente, por uma atenção extra!
Será que não compreendem, que não vêem, que cada um tem o seu valor e o seu espaço. Que ninguém é igual a ninguém e que é na diferença, que se encontra a riqueza e a perfeição. Um, deve ser o complemento do outro.
Traiem-se amizades, por tão pouco. Por vezes, pela mera ilusão de que os outros, poderão dar-nos mais atenção.
Engana-se, quem assim pensa.
Engana-se, quem nessa ilusão, deita para trás uma velha amizade, em detrimento de uma outra, mais recente, na esperança de ter daquele lado, maior afeição.
Esquecendo, que a velha amizade, nos conhece já, do avesso e do direito e que nos aceita e respeita, mesmo que não esteja de acordo connosco.
Que a velha amizade, mesmo que distante, será a primeira a chegar perto, quando estivermos a precisar de apoio.
Que a velha amizade, mesmo magoada e triste, nunca virará costas e dirá sempre, presente.
Que a velha e verdadeira amizade, realmente fica feliz, com a nossa felicidade e muito, muito triste, com a nossa tristeza.
Que a velha e verdadeira amizade, não mente, não finge, não é hipócrita, não faz favores por fazer, não tenta agradar, mesmo não sendo essa a sua vontade.
Que a verdadeira amizade, é simplesmente verdadeira!
Tudo isto, muitas vezes é esquecido.
Tudo isto, cada vez mais é desprezado.
Tudo isto, cada vez mais é posto em causa e por isso, as pessoas, cada vez mais, estão sós e abandonadas!
Não devia ser assim! As pessoas não foram feitas para estar sós, mas cada vez mais, arranjam maneira de o ficar!
Nascemos com um dom enorme, que é a inteligência, mas somos tão básicos, que não sabemos usá-la em nosso proveito!

"A cama que fizeres, a camas em que te irás deitar"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Amigos, onde estão?









De vez em quando ausento-me deste meu jardim. Por falta de inspiração, por preguiça e também, porque por vezes, o que tenho para dizer, me parece oco, vazio e sem sentido.

Hoje, depois de visitar os blogs de dois amigos, deu-me saudades.
Saudades de escrever, de ler, de estar e de ser.
Saudades dos amigos e das cumplicidades adquiridas.
Saudades de sentir a amizade fluir de saber que posso acreditar.

Neste caminho que é a vida, ao percorre-lo, cruzamos-nos com pessoas com as quais sentimos afinidades.
Por um tempo, essas afinidades crescem, mas de repente, por razões que por vezes desconhecemos, ou talvez não, esmorecem e mesmo até, desaparecem.

Pergunto-me:

- Será, porque me entrego demasiado e isso é capaz de assustar quem comigo convive?

Hoje em dia, não se aconselha a ter relações muito próximas, porque podemos sofrer. Eu, pela minha parte não tenho medo de sofrer e sofro. Sofro, quando os sinto distanciarem-se, não fisicamente, porque isso pode acontecer e é normal, mas distanciarem-se afectivamente.

- Será, porque sou muito franca e digo sempre o que tenho a dizer?

Se vejo algo que não gosto, ou não estou de acordo digo-o, dou a minha opinião, mesmo que ela vá contra a opinião e o sentir dos amigos. Mas se assim não for, não estou a ser eu, não sou verdadeira e eu só sei estar na vida com verdade. E só assim posso saber, se gostam de mim ou não, afinal ninguém é perfeito e temos que amar as pessoas, mesmo nas suas imperfeições.

- Ou será, porque não me dou o suficiente, porque estou demasiado envolvida nos meus próprios problemas?

No entanto, quem realmente é meu amigo, deveria conhecer-me e compreender. Deveria chegar-se ao pé de mim e dizer-me que não está satisfeito por isso, ou por aquilo.
O inverso também deveria acontecer. Eu dizer-lhes, que me sinto abandonada, desprezada, trocada!

Agora que fiz esta análise, começo a pensar que o problema talvez seja esse mesmo!
É não falarmos abertamente dos nossos sentimentos. Possivelmente, com medo de estarmos a ser injustos, de estarmos a imaginar coisas, ou até, de não recebermos depois uma resposta sincera.
Afinal, não estamos na cabeça, nem no coração das pessoas e nunca há certezas de nada!

Por isso hoje questiono-me, será que realmente tenho amigos?

Quero continuar a acreditar que sim, mas perdoem-me, porque não consigo evitar que o bichinho da dúvida, ande por aqui a pairar!

sábado, 11 de julho de 2009

Jogos de xadrez emocional!














Hoje... conversando com uma amiga, que está seriamente apaixonada, perguntava-me ela:

- Amiga, o que posso fazer, para que a pessoa que amo, deixe de jogar com outra, um jogo de xadrez emocional?

Ao que lhe respondi:

- Nada minha querida, não podes fazer nada, porque qualquer jogo é viciante e quanto mais se joga, mais vontade se tem de jogar!

Quem acede, conscientemente, entrar num jogo, é porque gosta! Torna-se um estímulo, uma entretenha, um desafio. Sempre tentando adivinhar a jogada do outro. Isso, vai mantendo-o preso e como qualquer vício, é muito difícil de abandonar.

Por isso minha amiga, não será o teu amor que o fará desistir, a não ser, que aprendas também a jogar, mas pelo que conheço de ti, tu nunca foste boa em jogos e nos que entras, perdes e, perder, por perder, será melhor ficares fora da jogada!

Esta conversa fez-me questionar, sobre, o que realmente tem importância na vida de uma pessoa.

Um jogo, em que nunca se sai realmente vencedor, porque é um perder e vencer constante, ou viver a vida e o amor, na sua simplicidade?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sei...

Sei, que não posso ser para ti, quem eu quero ser!
Sei, que não sou para ti, quem gostaria de ser!
Sei, que o sentimento que sinto, não o devia sentir!
Sei, que este amor, é um amor proibido!
Sei, que queria que me amasses a mim, apenas a mim!
Sei, que o caminho que percorro, é cheio de espinhos!
Sei, que te empurro, por vontade própria para outras mãos!
Sei, que morro de ciúmes, mas faço-me forte!
Sei, que a dor que sinto faz encolher o meu coração!
Sei, que apesar de saber tudo isso, não consigo evitar Amar-te!
Sei, que gostaria de não saber, tantas coisas que sei!

(A todos quantos vivem, ou viveram, um amor impossível)

sábado, 4 de julho de 2009

Sonhei



Sonhei, que ia contigo de mãos dadas

Percorrendo recantos de extrema beleza!

No ar... um sentimento fácil de adivinhar.

No silêncio do nosso olhar,

No toque da nossa pele…

Sentia-se palpável e sonoro, o Amor e o Carinho.

Não eram necessárias palavras, elas seriam supérfluas,

Todos os nossos sentidos falavam por nós!

Foi só um sonho, dir-me-ão, mas que importa,

Se o que nele vivi... parecia tão real!

Ali, não existia passado, presente, ou mesmo futuro.

Não havia mais pessoas, para além de nós,

Só tu e eu, no sonho de Amor,

Amando-nos... naquele instante que se fez eterno!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sentidos


S
ei que vieste na esperança de me encontrar

E que no teu peito arde, o fogo de quem ama

Não queres acreditar que eu já esteja longe de ti!

Tantas foram as noites decorridas em vigília, esperando.

Impaciente e consumido agora, pelo pó da derrota…

Dos teus olhos caiem lágrimas de desespero e amargura.

Ouvem-se algures, os lobos, uivando no zénite da noite

Seus lamentos são a certeza, de que tudo terminou.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Meu Mui Nobre Cavaleiro...

Meu mui nobre cavaleiro, onde ides
Montado em vosso branco corcel?

Levai-me convosco, meu bem-amado
Para poder sentir em meu rosto
Esse mesmo vento que vos acaricia.

Vinde, que em vossos braços me entrego
Retirai vosso elmo, para dos vossos lábios,
Beber com sofreguidão, a seiva do prazer.

Meu nobre cavaleiro, que feliz me fazeis
Por permitirdes em vosso leito me deitar
Serei seda azul, deslizando por vosso peito.

Senhor meu, descei desse vosso pedestal
E deitai por fim, vossa cabeça em meu regaço
Que ficarei aqui zelando por vosso descanso.

Quando, no horizonte os primeiro raios de sol despontarem
Encontrar-me-ão feliz e aninhada em vossos braços
Sois vós senhor, a minha paz, a minha luta e o meu tormento!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Hoje...

Hoje...
Queria ser o afago, a brisa mansa
A mão que te acaricia ondulante
em ousados afagos.


Hoje...
Queria ser o mar que te banha
A vaga inquieta, que discretamente
Te deixa na órbita do desejo.


Hoje...
Queria ser o quente fogo azul
Deslizando pelo teu corpo
Em carícias insolentes.

Hoje...
Queria ser seda nos teus lábios
Frutos expostos neste pomar de desejos...
Onde o vento, me traz um aroma discreto soprado por ti…

domingo, 21 de junho de 2009

Saudades de Ti e de Mim

Quando penso em ti, a saudade vem e apanha-me desprevenida.

Surpreendo-me sempre que ela surge, não sei porquê, já devia estar habituada.

A imagem do teu rosto surge de repente à minha frente e descubro, em cada imagem, um rosto que é teu, mas sempre novo - num momento diferente - numa expressão especial.

O mesmo rosto, mas reflectido no espelho da minha alma.

E aí, surge a saudade!

Saudade dos teus lábios, em que forçadamente encerras um sorriso. Desenho perfeito, de um momento suspenso, que reflecte a alma, numa imagem estática do teu mundo interior.

É Surpreendente esse rosto que vejo!
Imprimo-o, pela milionésima vez na memória do tempo.
Guardo-o como a última recordação de um momento, que não nos foi permitido viver.

Os meus pensamentos planam em suspensão sobre a tua cabeça. Sentem-te e vêem-te mesmo à distância, como não sinto, nem vejo mais ninguém.

O teu rosto transmite uma serenidade, que não existe e que esconde uma guerra que grassa no teu interior.
Sempre foste assim, um insatisfeito, um lutador.

Procuras com essa imagem de tranquilidade, abafar a azáfama em que a tua alma se encontra. Estás em constante busca, em constante pesquisa de ti mesmo e dos outros.
Isso, por estranho que pareça, faz-me sentir saudades de ti.

Hoje, mais uma vez, tive saudades, saudades de ti e de mim.

sábado, 20 de junho de 2009

Sentimento…

Sentimento... onde me levas coração?
Nem sempre é fácil entendê-lo
E nem sempre é fácil esconde-lo.
No entanto existe e está presente.
Sinto-o a bater no peito,
Com batidas fortes e pujantes.

Quando foi amor, que eu te deixei ir,
E colhi da terra, as flores de uma vida?
A cumplicidade dos secretos abraços,
Suspensos no lago azul do tempo,
Onde as flores de lótus floresciam.
Terá sido hoje, ou já foi ontem?
Que sucumbi aos teus beijos,
Que deixaram impressa na minha carne,
O fogo do teu desejo.

Quando foi amor, que se acabou o Amor?

Desejo o teu Olhar...

No teu olhar um poema
Que me faz lembrar o mar
Onde nas suas ondas me envolvo
E sem rumo me deixo levar.

Olhar doce e apaixonado
Que me faz vibrar e sonhar
Perco-me no seu azul quente e profundo
Que me deixa sem conseguir respirar

Não resisto e entrego-me nessa espiral...
E vou-me deixando arrastar
Caindo num mundo desconhecido
Cheio de volúpia e do sentir amar

Ah meu Amor! Como eu desejo o teu olhar!

O teu sorriso...

Sorriso bonito

Matreiro escondido

Que lindo que é

Não o escondas

Mostra-o ao mundo

Para verem como é

Ele é luminoso

De felicidade vestido

E só de o ver

Faz despontar também

O meu sorriso

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sonho sonhado…





O corpo já cansado, cai extenuado. Deixa-se ficar... ainda embalado pelo silêncio da madrugada.

Sonhei!

Aquela viagem, deixou-me sem quase poder respirar… parecia tão real! Os sonhos são vidas, que vivo por momentos e que me dão energias, as quais, vou perdendo durante a sua ausência.


Nas suas asas, deixo-me levar, são eles que me fazem viver o que conscientemente, não me permito fazer.
O sonho, deixa o espírito livre para voar e ser e viver, o que eu quiser.


São voos rasantes, por vezes, tão perto da realidade, muitas mais ainda, dos meus desejos mais secretos.

Desejos, que quase nunca sei que tenho e que ali, me são revelados.


Fico extasiada com eles e, quando acordo, recuso-me a fazê-lo. Cerro os olhos, na esperança de voltar para eles e continuar a sonhar.


Liberto-me aos pouco da sua leveza, não há nada a fazer. Lentamente, regresso ao meu mundo, que afinal… não é assim tão mau!


Olho para mim e digo:

Não estás feliz? Esta noite, viveste momentos de sonho, que quem sabe, te vão ajudar a torná-los reais.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aguardo-te...




A noite cai de mansinho e eu, aguardo-te sob este firmamento, onde as estrelas cintilam para mim. Sei, que tu és uma delas, reconheço-te o brilho.

Por maior que seja o firmamento, não é grande demais, para sabermos como nos encontrar. Fazemos parte um do outro, somos pedaços que se fizeram uno, dentro de um todo.

Sinto a saudade, queimar-me as entranhas. Aqui, neste corpo, hospedeiro da minha alma, anseio pelo teu. A minha a pele, clama pela tua pele, desejando que venha apagar, esta chama que me arde no peito.

O perfume das flores entra pela janela aberta. Exalam um aroma que inebria os sentidos. Deixo-me planar nesse aroma, expectante... tentando adivinhar o momento em que virás, para me tocar o corpo e a alma.

A noite avança, e o meu corpo acaba por sucumbir à espera!

Quando chegas, já me encontro adormecida. O teu olhar cai sobre a seda dos meus lábios, e de tão intenso, faz-me despertar.
Surpreendo o teu olhar de desejo e os meus lábios abrem-se, para te receber.

Por cima de nós, a Lua nasce, iluminando os nossos corpos, que se encontram já abandonados nos braços um do outro.

O tempo, esse, deixou de existir, porque a eternidade pertence-nos! Desde o início dos tempos, que é assim.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Escrevo-te...












Sobre as teclas vou debitando palavras...
Mas há aquelas, que gostaria de te dizer e não tenho coragem!
Escuto o silêncio para além deste ecrã e leio-te...
Tentando decifrar cada um dos caracteres
Das frases que aos poucos me vais deixando.
Lá fora, a Lua brilha num céu negro,
Dando à noite, aquele toque de mistério,
Sempre com algo por desvendar...
Como eu sei, também tu, me iras descobrir!
Mesmo não me vendo, (re)conheces-me,
Porque, em cada palavra que digito,
Escorre toda a essência do meu sentir.
Tu como ninguém, sabes adivinhar.
Abro a minha caixa de Pandora e como um passe de mágica,
A esperança liberta-se e afoita, no meu coração vem poisar.
Ah, como é bom de novo poder acreditar!
Acreditar, que para além das palavras há um olhar
E que esse olhar, tem algo para me dar.
Que para além das palavras há uma abraço,
que no seu peito me vai aconchegar.
E eu vou descobrindo em cada palavra,
Em cada frase... um caminho,
Todo ele pontuado de sensações...
Onde se acentuam as emoções.
Amanhece...
Vejo já os primeiros raios de sol a despontar
E na tela branca onde me escrevo e te escreves...
Surge uma frase...
Aquela que completará esta história,
Perdida num tempo...
Onde tudo está ainda por contar!...

Flor da Noite!...











Esta noite, falava com um amigo e dizia-lhe - o quanto gosto da noite, o quanto, ela me fascina!
Apelidou-me logo de “morceguita”!
É normal, é o que vem logo à ideia, quando dizemos, que gostamos de viver durante a noite, até mesmo eu, me denomino assim.
Mas se formos ver, a noite, tem tantas outras coisas! Coisas, que nos podem espantar, pela sua singela beleza, como por exemplo:

- Flores!

As denominadas flores da noite, porque só vivem para a noite! Existem plantas , em que a floração só se dá depois do anoitecer! Mostram, toda a sua beleza durante a noite e fenecem, quando o dia desponta.

Estou a falar em particular, de flores que provêem de cactos:

Há o "Selenicereus grandiflorus" – o qual, dá uma flor conhecida como a rainha da noite, que só permanece completamente aberta durante duas horas nocturnas, findas as quais, o seu “reinado” termina!

Existe também, o "Echinopsis spachiana", que nasce quando cai a noite e murcha, quando o sol desponta. Estas são, duas espécies que eu conheço, porventura, haverá mais! É interessante verificar, como há tanta e tão variada vida durante o período nocturno. Período, em que a ausência de luz, nos leva a crer, que a vida quase parou e que só, criaturas com aspecto mais sinistro, como os morcegos, conseguirão sobreviver!

Eis que surge, para nos deslumbrar, a efémera flor da noite, na sua beleza branca e pura, oferecendo-se à lua e a todas as criaturas nocturnas!

Talvez seja esse um dos motivos, porque gosto tanto da Noite! Não só... pela paz e o silêncio, porque quase tudo dorme, pelo mistério que por si só, ela encerra… mas também, porque nela encontramos, muitas coisas raras e belas!

Perco-me, no silêncio e beleza da noite, esperando que amanheça e que o meu corpo cansado se dispa e se deite, numa cama qualquer!...

domingo, 7 de junho de 2009

Amo a Vida...









Amo as manhãs que se anunciam lentas
e se desenrolam entre os meus lençóis
suspensa a vida num estendal de roupa
esquecido o dia num raio de sol

Amo o dia que será . Mantas de arminho
na crista azul do céu - nuvens tão plácidas
recostadas no horizonte - ausentes como eu
e a intocável incerteza das marés que virão

Amo a serena inconstância do desejo
a celebração sempre adiada do meu corpo
a música que envenena as madrugadas
e os sonoros clamores do silêncio na calçada

Amo a vida porque sou filha dos prados
e nasci nos jardins inventados pela bruma
sou neblina que busca o peito amado
sou o clamor dos mares incendiados

Cantarei todas as manhãs do mundo
para te doar a foz desperta do meu corpo
venha Junho, venha o mês dos frutos
e as manhãs serão sempre o nosso porto..

domingo, 3 de maio de 2009

Ser Mãe...


Descobri um dia
Que no meu corpo, trazia a poesia
No seu sentindo mais profundo.

Descobri que eu era a flor que semeava o mundo
E que arava a terra de Esperanças…
Porque no meu ventre, trazia o sorriso de uma criança.

Senti-me responsável pela humanidade
E veio através de mim, o amor em forma de realidade
A vida no seu sentido mais lato...

Hoje sei, que ser mãe, é muito mais que um acto de amor...
Ser mãe, é um acto de coragem…
Ser mãe, é um acto de generosidade com a vida
É ser mais que uma simples mulher!

Ser mãe, é ser guerreira
Ser mãe, é ter orgulho
Sofrer, amar incondicionalmente, chorar, rir, enfim
Ser mãe, é ter o Miguel – que é tudo para mim

Que todas as mães do mundo possam ser felizes

FELIZ DIA DA MÃE!

sábado, 2 de maio de 2009

O Ciclo do Amor



Gosto de sentir o calor da terra no meu corpo! Apetece-me deixar que a terra me incorpore como sua, enquanto te espero no limbo de cada noite. Nestes tálamos nossos onde somos, meu amor, a origem e o fim de todas as nascentes.
Imagino-me raiz cravada no húmus, caule presumido de terra, tronco erecto saindo
do seu leito telúrico, para me abraçar na eternidade de te querer...
Corre mansamente, o ribeiro dos sentidos na volúpia da espera.
As minhas mãos são já folhas e os meus braços troncos, toda eu, telúrico desejo de esmorecer na brandura fértil dos teus braços.
Despertarei com a seda do teu toque, que me seguirá a curva do seio, até à concha do ventre, parando nesse lugar onde mora, o segredo de uma mulher.
No estio do sonho, na sua crina azul ao vento, estremeço, como superfície da água que uma pedra perturbasse.
São círculos concêntricos dos teus dedos em redor de um epigrama inventado pelos teus caprichos de amante.
Não paras de tocar o meu corpo com a doçura do violinista pelo seu velho violino. Tão alheado de mim, como se a minha pele te contasse histórias, que só tu lês.
Como um Braille inscrito no meu corpo que tacteias.
E eu, fundo-me com a Terra mãe e sou por ti arada, revolta, aberta, lavrada para a sementeira. Ah, meu amor, a suavidade única dos teus dedos. Esse arrepio, que me rasga os sentidos em mil bocados de papel suavemente incandescentes!
O meu corpo suspenso nas tuas mãos, depois na tua língua e então, as bocas procuram-se e selam o silêncio dos corpos...
Soergues-me para ti e cravas no meu sexo, a tua boca sequiosa, em murmúrios de sofreguidão e sede. De terra passo a Fogo, à medida que as tuas mãos me moldam para o teu gozo.
Na impiedade da tua boca, incandescências mil ocorrem no epicentro do meu corpo, enquanto o magma dos teus dedos se precipita na minha pele, rápido, voluptuoso,
com a voracidade e a urgência das madrugadas que perdemos.
Sou então a própria árvore da vida ardendo de braços erectos para o céu.
O fogo atinge a mancha breve dos cabelos, eu desprendo-me em murmúrios inconcludentes e procuro na tua pele a frescura que me salvará. Penetras-me com súbita urgência, ficando então ambos a planar abraçados, como se invisível tapete mágico nos levasse pelos ares em direcção aos quatro pontos cardeais: uma espiral por onde se escoa o próprio tempo. Somos agora a leveza do Ar rarefeito nos sentidos e caímos de cascatas de cor azul, onde o arco-íris se decompõe nas cores do nosso riso. Poucas pessoas riem, enquanto fazem amor. Mas tu ris. E fazes-me rir, com as coisas que me dizes. Somos o próprio tecto do mundo na leveza do riso. Então, em espasmos, em ondas, em vagas, em remoinhos, num diálogo de corpos e de sons, semeamos o ar com o harpejo das vozes subitamente enrouquecidas, vindas de um ponto distante do olhar. Tu suspiras, eu suspiro e somos de novo a Água primordial da vida, nos corpos exaustos, transpirados, aguados de doces fluidos.
Adormecemos terra nos braços da ternura. O sonho nos recolherá em seu cadinho de alquimista e de novo as duas gotas que sobraram da transmutação dos elementos se transformarão no perfume raro do desejo... O ciclo do amor uma e outra vez em nossos corpos se renova, noite após noite, enquanto a paixão nos elevar, a essa atracção elementar, que sempre uniu e unirá, um homem e uma mulher.

Deste Lado Do Espelho



Deste lado do espelho vê-se o passar dos exércitos dispersos pela derrota. Entrincheirada nas minhas incertezas, assisto ao bailado dos dias e mistifico o que não entendo. Bebo este vinho entardecido numa garrafa que como eu não respirou. Entrecortadamente vêm-me à memória os dias em que o céu se rasgou para trazer a embriaguez das palavras. É como beber a incerteza e decantá-la linearmente para meu prazer. Aspiro o odor das palavras, capto-lhes o sabor, bebo-as de esperança e engano-me, ah, como me engano aqui deste lado do espelho!

Soam as badaladas de um relógio maluco que resolveu cantar avé-marias ao meu ouvido. Como se não fosse fácil acreditá-lo, quando me diz que a noite eterna se esqueceu de me esperar... Tal como o amor o tempo pode vir tarde, e não ser mais que este sonambulismo de carros urdindo nas cidades a teia do trânsito. Nesta casa só ficou o relógio, o espelho e as teias que me cobrem de pensamentos pegajosos. Nem sequer fiquei eu... Só a teia da sedução, o epicentro da teia onde a aranha nos promete amor, como à noiva de Dickens promete a vinda do noivo e apenas lhe cobre de mais teias o aparato nupcial...

Palavras que se nos pegam ao corpo, assomam ao olhar, devoram o desejo em desejo, cortam o luar em fatias de luz e um cigarro apagado cai dos lábrios cansados ferindo apenas a madrugada. Nestas noites brancas deambulo pelas cidades eternas, onde podia ter sido nomeda aquela-que-foi-feliz. Vou-me reconciliando com os prédios, com as estátuas e as pessoas. Ando suspensa de um fio de prumo que rasa o fio dos eléctricos a descer uma possível Rua da Graça ou de qualquer outra improvável qualidade. Mas não há na calçada som doutros passos a não ser os meus.

Lembro-me das telas que pintei à busca das palavras e ficaram penduradas na esperança de as encontrar. "Estes esboços patéticos foram feitos pela senhora que aqui morou. Não os quis. Desapareceu no ruído da cidade levando apenas o som dos seus passos sós na calçada. Partiu em demanda das palavras. Se as encontrar, voltará mais vazia mas não lhe digam nada. Todos os homens que encontrou tatuou-os de palavras e amou-os para além das palavras. Encontraram-na num beco esfaqueada de palavras, com uma palavra inerte a escorrer dos lábios frios. Do outro lado do espelho, ouço-lhe os gritos mas não a ouço. Desconfio que a sua loucura é um salmo bíblico injectado por palavras fora de prazo. Se a virem, não lhe liguem. Morreu seca de palavras sem nunca ter proferido a palavra hirta que lhe escorre dos lábios, sonhando que a cidade se abria à dimensão do seu sonho prodigioso, desvairada pelas fontes e lugares de culto, julgando que choveriam monções nos seus ombros destapados. Parou num farol à beira do nada. Era apenas um cais sem barcos. Aí se deixou ficar a sonhar com o seu mercador de palavras. Nada sente na sua loucura estilhaçada. Nem as pedradas dos meninos distraídos a alcançarão para lá dos vidros partidos das janelas sem vidros nem portadas - uma casa, apenas, uma casa abandonada por todas as palavras..."

Por que se quebraram estas lágrimas cansadas? E por que me olham daí em suspenso? O presente é a espiação das batalhas que me venceram, uma a uma, até ao dia em que me gravarem em mármore rosa o epitáfio da complacência. Nunca se deve olhar para um espelho numa casa vazia. Para lá dos estilhaçados dias, dos caixilhos quebrados, esmaecidos, feridos de palavras, existo eu, em todas as casas abandonadas, alguém que vos olha do outro lado do tempo sem sorrir... apenas eco de palavras.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Um Copo de Água...













Um vaso cristalino inventado pela idealidade pedante do homem que não se verga, nem mesmo para matar a sua própria sede.

Mil cores e feitios para um só fim.
Se um copo é tão meramente um copo qual o porquê dos intermináveis fins que lhe designamos?
Utensílio de utilidade óbvia, acessório decorativo, o que a imaginação lhe permitir.

Vinho confessionário, cor de sangue da força da sua alegria. O dia, a comemoração. Sentimentos fortes, desejo, paixão.

O champanhe da sedução. Morangos vermelhos, a volúpia desliza, velas que incendeiam a escuridão. Olhares audaciosos, seguindo a tragada final.

O sumo de fruta, refresca o final de tarde, acompanha uma recordação. Sorrisos musicais brindando uma conversa dourada e um gole que encanta, já não carece dizer mais nada.

A água translúcida, jogado um punhado de sal. Com ele, uma gargalhada de felicidade que não é real. Uma lágrima amparada, cevada de fotografias velhas que ninguém recorda onde abrigou. Uma gota de suor, escorrida pela correria desregrada de pânico de não dizer a última palavra. Um copo vazio, pingo a pingo se perfaz do que se quiser. Amor. O que se vê, não o que é. O que não existe. Aquilo em se crê.

Complicar? Desencantar caminhos tortuosos para chegar ao mesmo destino. Dificultar o prazer do que é mais que desejo, é necessidade. Gritar a quem nos admira sereno. Beijar os únicos lábios que nos faltaram naquele instante e nos mataram.
Apenas viver.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

MÃE...








Lembro-me do seu jeito humilde e alegre de ser
Sempre fiel, na sua devoção a mim.
Guardei comigo, muito do que é seu.

Ficou-me na memória...

Os seus últimos sorrisos,
Os seus últimos olhares…

E eles, disseram-me muito de si

Quase tudo, que precisava saber.

Faz hoje um ano...

Mãe… Querida... Mãe

Sempre que digo estas palavras

Entristeço-me, não consigo evitar

Já não me ouve, a pronuncia-las para si...
Mãe,

O seu amor, é só meu,

O seu amor é só nosso!

Foi o meu primeiro amor
E ficará, para sempre impresso, na minha alma
Há um ano Mãe,

Tornou-se para mim, imortal...

Apesar da dor, apesar da tristeza…

Senti que ganhei uma nova mãe…

Que passou a ser, unicamente… espiritual.

MÃE, O MEU AMOR POR SI... SERÁ ETERNO!...