quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Acordo Cansada...











Acordo cansada de mim, deste sentir fecundo, mas estéril de afectos realmente consumados… De fingir que estou AQUI, quando me ausentei e vagueio, perdida, sem descortinar por que obscuras razões subsistem, ainda, pontos cardeais… De inventar alegorias e paradigmas vários, para tentar escusar-me à crua realidade que, furiosamente, teima em engolir-me, inteira e de um só trago … De inventar AMOR, aos molhos, como quem veste alegremente os lábios de sorrisos purpúreos, estando prestes a perecer, cristalizada, no sal das lágrimas que lhe banham o rosto… Estilhaçam as delicadas vidraças da minha Alma! Lívida e fria, afogo-me no turbulento caudal do meu próprio desespero, por consentido excesso de gente, no âmago desta solidão total que mais ninguém vê… Avulta silêncio em todas as esquinas do meu Ser! O espectro da morte, negro e sombrio, arrasta-se-me pesadamente na vida… Acordo cansada de mim, deste sentir fecundo, mas estéril de afectos realmente consumados…