domingo, 22 de julho de 2007
Soltar Amarras
Postado por @--}--- de £ótus às 03:46 2 Marquinha(s)
Marcadores: Vida
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Retrospectiva de vida
Há dias, como hoje, em que me vejo a fazer a retrospectiva da minha vida.
Tenho 45 anos, quase meio século, mas olho para mim e não me vejo assim, não sinto o peso dos anos.
Tantos momentos. Tantas recordações. Uma vida preenchida, com muitas alegrias e algumas tristezas, mas sobretudo, bem vivida.
Olho para trás, e vejo-me criança, em Angola. Que bom foi aquele tempo, que grandeza de alma me deu aquele país. Foi um privilégio ter contacto com aquela terra que ficará sempre no meu coração e no meu ideal. África tem feitiço e tem magia! Só quem lá viveu, compreende este laço, umbilical, que nos une a ela...
Depois, foi o corte violento, a separação dolorosa. Tal qual como um bebé que nasce e o separam da mãe, cortando o cordão que até ali os uniu.
Tinha 13 anos e entrava na fase da adolescência. Julgo que a experiência anterior me fez crescer rapidamente, não tive tempo de sentir a tão falada "crise da adolescência", sabia que de um momento para outro, tudo se alterava e assim, procurei tirar partido, do que naquela altura me era oferecido, sem medos e sem crises. Tudo era novidade para mim, o país, o clima, as pessoas. A adaptação foi fácil, e uma nova aventura começou!
Vivi uma adolescência livre e descomplexada, nisso tive a ajuda preciosa dos meus pais, que mais do que pais, foram uns amigos. Sempre acreditaram e confiaram em mim, deixando-me viver sem restrições. Isso ensinou-me a ser responsável e a saber, que quando alguém confia em nós, temos de nos esforçar para a não defraudar.
Casei aos 19 anos, na perspectiva de hoje em dia, muito cedo, mas foi uma decisão pensada e desejada. Como desejado foi e muito, o bebé que dessa união nasceu, quando eu tinha 23 anos.
De novo, a minha vida deu uma reviravolta de 360º.
O sentimento de ser mãe é único, e impossível coloca-lo em palavras. Ele é um sentimento que cresce nas nossas entranhas, durante nove meses, junto com o feto e que explode, em autêntica apoteose, ao fim desse tempo. Indescritível!
Estive 17 anos casada, e desse período, guardo boas recordações. Foram anos que me trouxeram muita felicidade e que me proporcionaram a melhor experiência da minha vida, ser mãe. Terminou, é certo, mas não me deixou mágoa. Tudo na vida tem um fim, só temos é de saber aceitar quando ele chega, e procurar guardar na memória, o que de melhor existiu. E foram tantas coisas boas, tantos momentos inesquecíveis!
Mais uma vez, comecei uma nova fase da minha vida. Ela tem sido recheada de mudanças e que bom têm sido para mim. Se essas mudanças, não tivessem ocorrido, a minha vida continuaria sempre em linha recta, eu não teria tido a oportunidade de viver as sensações que vivi, nem de conhecer as pessoas que conheci. A minha vida tem sido feita de algumas lágrimas, mas muito mais de SORRISOS e isso faz de mim, uma pessoa FELIZ…
Postado por @--}--- de £ótus às 23:52 1 Marquinha(s)
Marcadores: Vida
domingo, 15 de julho de 2007
Sedução
Tu, a semicerrares os olhos num gozo, ainda, por consentir, a suspenderes a respiração quando, no fio da navalha, sinto que queres e foges de querer, a tensão que já se adivinha no ar.
Eu, indecentemente, a passear-me por ti, de alto a baixo, a confundir-me contigo, a deixar o rasto subtil do meu perfume tatuado na tua pele, a enroscar-me, a desenroscar-me, a colar-me com denunciado desvelo, a pôr achas na tua imensa fogueira, a atiçar-te o frenesim e a cobiça que só a custo dominas, a induzir delicias com o breve e quase inocente afago, do meu corpo a serpentear no teu.
A pele nua a roçar o gostoso desconforto do teu arrepio febril… E os meus seios, como dois frutos, estonteantemente, maduros a clamar pela avidez da tua fome, cada vez mais evidente…
A urgência plasmada nas tuas mãos, crispadas, a amassar raivosamente os lençóis por onde, voluptuosa, a loucura evolui em aflitivo crescendo…
Tu, tenso, em agonia, a quereres e a não quereres jogar mais – pró diabo, o jogo da sedução!
Tu, a um passo de cederes ao teu instinto de macho e me submeteres ao delírio caprichoso da tua vontade…
Não. Não quero que me toques!
Súbita e deliberadamente, afasto o meu corpo do teu, erguendo mais uma barreira ao teu suplício – quebro a estreiteza da tua proximidade, impondo os limites invisíveis de uma distância tácita mas segura.
Quero que me vejas e sintas todas as minhas pulsões mas não quero que me toques. Não, ainda! …
Sentada sobre as tuas pernas estendidas, de frente para ti, seguro tenazmente a força selvagem do teu desejo. Enleio-te as mãos nas minhas. Arrasto demoradamente o olhar hipnótico sobre o teu… Primeiro quero sentir a veemência com que me queres!
Deslizo, depois, lentamente o olhar sobre a tua boca. Detenho-me no perfeito delineado dos teus lábios. Esboço um sorriso ténue, prenúncio de atrevimento… Apetece-me a tremura desses lábios na maciez dos meus! Mordo o meu próprio desejo no desejo intenso de quebrar todas as regras…
E de repente, vejo-me enredada na minha própria teia, deixo de pensar – pró diabo, o jogo da sedução!...
Afinal, para cada regra existe, sempre, uma excepção!
Postado por @--}--- de £ótus às 01:14 0 Marquinha(s)
Marcadores: Sensações
Auto Retrato
Na boca carmim, gorjeios de criança
E na aura, o mistério que a tudo resiste!
É tímido, o jeito, com que enfrenta e insiste
Mas corre-lhe nas veias, o ardor da mudança
Ilude quem pensa que, por pouco, se cansa
É Mulher – Guerreira! Não teme, ou desiste!
Libertina em sonhos, excessiva em emoção
Umas vezes, “iceberg”, outras tantas, paixão
Sensível aos afectos, porém, muito esquiva…
Do destino, não foge, mas é filha do vento
Amazona, a galope, na garupa do tempo
Alma peregrina, por esse mundo, á deriva…
Postado por @--}--- de £ótus às 01:01 0 Marquinha(s)
Marcadores: Mulher
Reencontro
Em reflexos lúbricos de prata e de veludo…
Escorro inteira e lânguida como mel
Por teus desígnios!
Morro em cascatas de beijos
À fina-flor dos teus lábios…
Afundo-me na carícia velada do teu Ser
Em afrodisíacos aromas de incenso e magia!
Teus dedos, audazes, em meu corpo
Com maestria tântrica
Fazem desvelado percurso
Entre as avenidas e encruzilhadas do meu assombro…
Antecipam exemplares delícias!
Entrelaçam desejos escarlates
Com cristalinos gorjeios e afagos de alma…
Ruborizo os sentidos,
Num alucinante pulsar de paixões!
Amanheces-me vibrante no olhar
No improviso de sonhos belos e intemporais
E em ti, me idealizo tatuada,
Em doce aconchego,
Na morna e paciente invenção de futuros mais que perfeitos!
Somos o projecto semi – acabado de vidas que levámos a edificar…
O meu corpo só,
Santuário de emoções vivas
É por defeito
O corpo ausente desse amor,
O sangue estancado à pressa,
A fogueira mortiça,
A metade incompleta
Do rubro e doce fruto
Ainda por trincar, no jardim do Éden…
Esvaiu-se a noite de todas as noites de insularidade
Perpetuadas até hoje!
Na vanguarda do tempo, o amor é já uma clareira
Uma charneca em flor…
A ressurreição suprema da Ave moribunda
Entre as cinzas karmicas de muitas vidas paralelas…
Espero-te no sorriso perfeito da manhã
No voo rasante do condor,
No fogo aceso ao fundo…na indelével linha do horizonte!
Espero-te definitivamente,
À beira-mar,
Envolta em branca espuma sobre a areia tíbia de uma praia qualquer…
Para me dissolver em ti,
Para me reencontrar a mim,
Para, enfim, selarmos a eternidade
Num beijo profundo e indiviso!
Postado por @--}--- de £ótus às 00:34 0 Marquinha(s)
Marcadores: Poema
domingo, 1 de julho de 2007
Quero-te
Postado por @--}--- de £ótus às 01:53 0 Marquinha(s)
Marcadores: Poema



