sábado, 1 de dezembro de 2007

Almas Gémeas

No silêncio profundo da noite escura. Perdida do meu corpo, que não me pertence. Entrego-me na busca incessante da tua alma, que se encontra, nas sombras da floresta dos murmúrios que nos fustigam. Uma alma que vagueia sem destino nenhum, apenas procurando por outra que gémea se lhe assemelhe, que de sentimentos cheia, outros tantos sentimentos procura. Desprezamos o que é meramente mortal e oferecemo-nos a eternidade, num mundo, onde o tempo não existe e apenas os sentidos semeiam a luxúria que nem os corpos podiam imaginar existir, sentir ou desejar. Porque, neste espaço fechado onde eu te possuo, apenas existe o meu ser e o teu, ambos unidos pela sede de estar juntos, pela vontade de quebrar as regras que a gravidade impões aos corpos e que enquanto almas não padecemos. Estas emoções, por tanto tempo aprisionadas sobre as grades de vidas diferentes e caminhos mal trilhados, explodem, numa vaga enorme, que se arrasta por todo o oceano. Libertando as suas forças ao chegar à areia da praia, adormecendo sobre ela, como tu adormeces sobre o meu colo que te ampara e protege da tempestade da vida, afagando-te os cabelos e deixando-te dormir como se faz a uma criança. É neste turbilhão de emoções que as nossas almas encontram a paz, que os corpos não podem jamais sentir. É nesta paz, que o amor atinge a eternidade, e que acreditamos que a felicidade existe.

10 Marquinha(s):

Anónimo disse...

Bonitas palavras, sentidas de dentro do ser que almeja a vida.
A imortalidade da vida bebida no leito do espírito e saciada no sentir do corpo. Quem ama mais: o que amando a si mesmo se ama a si nos outros, ou o que amando aos outros ama o outro de si que no objecto se completa?
Amor profundo e inesquecido o seu, que sobrevive à saudade...

Flávio M. disse...

Bela instanciação da "nossa" (mortais) felicidade e linda expressão a da "tempestade da vida". Mas tudo se transforma e refaz numa outra forma de ser e de estar; como o mar, como as marés, como a àrvore que erecta para o céu procura encontrar a raíz da sua existência, louvando a energia do sol e a fecundidade da chuva, que marcam com serenidade o compasso dos dias.

Flávio M.

Luis Ferreira disse...

Bonitas palavras num texto de encanto, sentidas numa alma cheia de sentimentos...

Parabens mais uma vez amiga, pelo belo texto com que nos presenteias.

Bj

A vida.... disse...

ola

vim visitar o teu cantinho e keria te dar os meus parabens pois escreves coisas lindas...


um beijinho

@--}--- de £ótus disse...

Obrigada Janício, é sempre com enorme prazer que recebo os seus comentários.
Eles, refletem uma leitura atenta dos meus textos.
A questão que coloca aqui é interessante! "Quem ama mais?"
Eu diria:
- Talvez aquele(a), que amando muitos os outros, consiga ver em si, refletido esse mesmo amor.

Um grande bem haja para si!

@--}--- de £ótus disse...

Flávio,

Dizem, que um gesto, vale por mil palavras. É certo, que por vezes assim é, mas as palavras, têm para mim, uma importância, que gesto nenhum, poderá alterar.
Daí, que as suas palavras, tão gentilmente aqui deixadas, sejam tão importantes para mim.
"Bebo-as" com sofreguidão e dão-me alento, para continuar a fazer delas, um elo de ligação...

@--}--- de £ótus disse...

Querido Luis,

Bonitas, são as tuas palavras e bonitos, são os teus textos e poemas.
Tenho andado parca em comentários, mas continuo, a deleitar-me com os teus escritos.

Obrigada pelo teu carinho.

Beijinhos.

@--}--- de £ótus disse...

Olá "Vida",

Grata pela tua visita ao meu cantinho. Por favor, sente-te à vontade, para o visitares sempre que queiras. É para mim um prazer "receber-te" aqui. :-)

Que a vida te sorria sempre!

Beijinhos

Anónimo disse...

Gostei do que vi e li...

Já leste o livro "O Silêncio das Almas" de Hugo Girão & Isabel Fontes, Fronteira do Caos Editores?

Lê, vale a pena...Fiquei com uma visão diferente das relações.

Beijos de SOL.
Idália
divulgacaoliteraria@gmail.com

@--}--- de £ótus disse...

Idália, obrigada pela visita ao meu modesto cantinho. :-)

E, obrigada também, pela sugestão do livro, vou procurar encontrá-lo.

Beijos