
Passo devagar, com a ponta da minha língua húmida, pela tua boca, como pincel sobre uma tela e, as minhas mãos perdem-se no prazer de te acariciar.
Ao longe, o som de uma música romântica que nos vai embalando, trazendo aos nossos sentidos, a volúpia da paixão.
As pernas entrelaçam-se e nós, quais bailarinos de salão começamos a dançar, o tango da paixão.
Lá fora, a chuva e o vento agitam com furor os ramos das árvores, como nós, despidos e confinados a este nosso ninho de amor, agitamo-nos e entregamo-nos com frenesim, à volúpia que nos devora!
Os olhos encontram-se por instantes e vêem-se neles, a cumplicidade e o desejo de uma entrega total.
Galgamos os nossos corpos, na sofreguidão da descoberta, como se não nos conhecêssemos e percorrêssemos ainda terreno virgem.
Nesta viagem de sentires, esquecemo-nos do tempo, que ficou lá fora. Nada existe para além de nós e das quatro paredes que nos rodeiam. Mergulhados na sensualidade dos movimentos e nos gemidos, que se ouvem, cada vez com mais ardor.
Ali onde nos encontramos, não há limites, nada que segure a força dominadora, que nos trespassa e nos devora, chama quente de um desejo, que nos leva em turbilhão.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Turbilhão
Postado por @--}--- de £ótus às 01:31
Marcadores: Paixão, Turbilhão de Sentimentos
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1 Marquinha(s):
Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
Que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
Pablo Neruda
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