sábado, 9 de janeiro de 2010

Agora, estou sozinha...












Esgotaram-se as palavras, silenciaram-se as aves sobre as árvores despidas de folhas.
Cai a noite a seguir ao dia e a alma exausta deixa-se ficar... imóvel, vazia.
Hoje não tenho nada para dizer, já não me surgem nas pontas dos dedos as letras que te formavam, não se descobre na tela vazia, um único traço de mim, de ti, dos nossos corpos.
O vento sopra, varrendo do chão a poeira que resta. Sobras dum fogo extinto, dramas de uma vida abandonada entre nadas.
A voz cala-se, os pensamentos hibernam na letargia de um frio inverno, o coração seca na aridez deste deserto, não te escuto, nem o palpitar do teu coração se faz sentir!
As lágrimas não percorrem mais a planície da minha face, o sal acumula-se no fundo deste lago seco que são os meus olhos.
Não há sonhos, nem presenças constantes, apenas a ausência se perde neste imenso e desolado mundo.
De nós, guardo só aquela fotografia tirada ao pôr-do-sol como última recordação do passado; Âncora, que se prende ainda, no chão vazio deste rio outrora fulgurante.
Agora, estou sozinha...

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