sábado, 24 de novembro de 2007

Consigo Tocar-te a Alma Com Um Sopro.










Na penumbra do silêncio, sinto-te chegar com o perfume do incenso que arde, com a suavidade do fumo que se desprende da combustão. A música mescla-se com a essência do perfume, e o meu corpo envolve-se no teu, como se fossemos apenas um só. Há uma eternidade que não te via, há um instante que te desejava, e, agora, estás aqui. Envolto nesta cortina de fumos e cheiros, vejo-te, transparente, como sempre foste a meus olhos, como cristal, como água que brota do nada e me banha todo o corpo, num toque suave, tranquilo, como se sempre tivesses estado aqui, como se nunca me tivesses deixado à tua espera.
Nesta eternidade, feita apenas de um momento, a seda cobre-me o corpo, que é o teu também, a saudade abraça-me a alma, e o teu corpo sacia-me os desejos. Há séculos que não te sentia chegar, quase não sabia como eras, e estás aqui, mesmo a um milímetro de mim, sinto o calor do teu corpo, e consigo tocar-te a alma com um sopro. Ao ritmo da música que fazemos tocar, os corpos ondulam sobre o espaço vazio, sem se tocarem, numa dança sensual e suave, prolongando a ânsia de se terem por apenas este momento de eternidade.
Este instante, em que rasgamos o tempo, as barreiras e os compromissos, atravessamos dimensões, quebramos as regras estabelecidas, para matar a saudade que perdura, por toda a eternidade, fazendo deste lugar, o momento em que tivemos a coragem de nos entregar a nós próprios, entre um segundo e o próximo, entre a realidade e a ficção, entre o permitido e o por demais proibido, só, para nos consolarmos, só, para nos desafogarmos, só, para nos termos, nem que fosse, entre um segundo, e o próximo.

5 Marquinha(s):

Anónimo disse...

Um sopro do Amor no trono da saudade, um momento em que o relógio do universo se esqueceu de contar o dia antes da eternidade !
JA

Anónimo disse...

Talvez o amor se instancie no que de mais eterno há em nós. Soubera eu explicar, como na essência do poema, porque busca o efémero humano a imortalidade no outro, porque se lhe entrega sem condicionalismos, porque o deseja mesmo no olvido ou na ausência, o que lhe suporta a dor que equaciona a própria vida...

Flávio M.

@--}--- de £ótus disse...

Flávio,

O amor não se questiona, não tem quês, nem porquês, não tem explicação, não segue uma lógica, não é racional, simplesmente o sentimos, ele chama-nos, e nós... seguimo-lo!

Beijos

@--}--- de £ótus disse...

Janício,

Muito obrigada pelo seu comentário e pela sua visita!

Um grande bem-haja para si.

Flávio M. disse...

E porque se extingue por vezes em nós a mão que semeia o Amor ?
Transformação ? Essência ?
O Ser que perseguimos e nunca se deixa alcançar ?
Flávio M.