Em reflexos lúbricos de prata e de veludo…
Escorro inteira e lânguida como mel
Por teus desígnios!
Morro em cascatas de beijos
À fina-flor dos teus lábios…
Afundo-me na carícia velada do teu Ser
Em afrodisíacos aromas de incenso e magia!
Teus dedos, audazes, em meu corpo
Com maestria tântrica
Fazem desvelado percurso
Entre as avenidas e encruzilhadas do meu assombro…
Antecipam exemplares delícias!
Entrelaçam desejos escarlates
Com cristalinos gorjeios e afagos de alma…
Ruborizo os sentidos,
Num alucinante pulsar de paixões!
Amanheces-me vibrante no olhar
No improviso de sonhos belos e intemporais
E em ti, me idealizo tatuada,
Em doce aconchego,
Na morna e paciente invenção de futuros mais que perfeitos!
Somos o projecto semi – acabado de vidas que levámos a edificar…
O meu corpo só,
Santuário de emoções vivas
É por defeito
O corpo ausente desse amor,
O sangue estancado à pressa,
A fogueira mortiça,
A metade incompleta
Do rubro e doce fruto
Ainda por trincar, no jardim do Éden…
Esvaiu-se a noite de todas as noites de insularidade
Perpetuadas até hoje!
Na vanguarda do tempo, o amor é já uma clareira
Uma charneca em flor…
A ressurreição suprema da Ave moribunda
Entre as cinzas karmicas de muitas vidas paralelas…
Espero-te no sorriso perfeito da manhã
No voo rasante do condor,
No fogo aceso ao fundo…na indelével linha do horizonte!
Espero-te definitivamente,
À beira-mar,
Envolta em branca espuma sobre a areia tíbia de uma praia qualquer…
Para me dissolver em ti,
Para me reencontrar a mim,
Para, enfim, selarmos a eternidade
Num beijo profundo e indiviso!

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