Tu, a semicerrares os olhos num gozo, ainda, por consentir, a suspenderes a respiração quando, no fio da navalha, sinto que queres e foges de querer, a tensão que já se adivinha no ar.
Eu, indecentemente, a passear-me por ti, de alto a baixo, a confundir-me contigo, a deixar o rasto subtil do meu perfume tatuado na tua pele, a enroscar-me, a desenroscar-me, a colar-me com denunciado desvelo, a pôr achas na tua imensa fogueira, a atiçar-te o frenesim e a cobiça que só a custo dominas, a induzir delicias com o breve e quase inocente afago, do meu corpo a serpentear no teu.
A pele nua a roçar o gostoso desconforto do teu arrepio febril… E os meus seios, como dois frutos, estonteantemente, maduros a clamar pela avidez da tua fome, cada vez mais evidente…
A urgência plasmada nas tuas mãos, crispadas, a amassar raivosamente os lençóis por onde, voluptuosa, a loucura evolui em aflitivo crescendo…
Tu, tenso, em agonia, a quereres e a não quereres jogar mais – pró diabo, o jogo da sedução!
Tu, a um passo de cederes ao teu instinto de macho e me submeteres ao delírio caprichoso da tua vontade…
Não. Não quero que me toques!
Súbita e deliberadamente, afasto o meu corpo do teu, erguendo mais uma barreira ao teu suplício – quebro a estreiteza da tua proximidade, impondo os limites invisíveis de uma distância tácita mas segura.
Quero que me vejas e sintas todas as minhas pulsões mas não quero que me toques. Não, ainda! …
Sentada sobre as tuas pernas estendidas, de frente para ti, seguro tenazmente a força selvagem do teu desejo. Enleio-te as mãos nas minhas. Arrasto demoradamente o olhar hipnótico sobre o teu… Primeiro quero sentir a veemência com que me queres!
Deslizo, depois, lentamente o olhar sobre a tua boca. Detenho-me no perfeito delineado dos teus lábios. Esboço um sorriso ténue, prenúncio de atrevimento… Apetece-me a tremura desses lábios na maciez dos meus! Mordo o meu próprio desejo no desejo intenso de quebrar todas as regras…
E de repente, vejo-me enredada na minha própria teia, deixo de pensar – pró diabo, o jogo da sedução!...
Afinal, para cada regra existe, sempre, uma excepção!

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